Dimensionamento do mercado capixaba de produtos florestais madeiráveis

Lançamento será no dia 12 de dezembro no auditório da Faes em Vitória-ES

sexta, 09 de dezembro de 2011
Foto: Divulgação

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O setor florestal capixaba apresenta uma relevante importância social, econômica e ambiental na medida em que movimenta cerca de R$ 5 bilhões, o que corresponde a 25% do PIB do agronegócio estadual; representa 65% do valor de exportação do negócio agrícola; gera cerca de 80 mil empregos diretos e indiretos e envolve em torno de 28 mil propriedades rurais como fomentados ou produtores independentes. É um dos setores que mais tem crescido em área plantada nos últimos anos com incremento médio anual de 4,29% no período de 2003 a 2009.

O Espírito Santo tem boa aptidão para o cultivo florestal representando 30% das terras agricultáveis do Estado, o que corresponde cerca de 900 mil hectares de terras com vocação preferencial, mas não exclusiva, para cultivo florestal. Em 2009, o Estado possuía cerca de 250 mil hectares de área plantada com eucalipto e mais 3.940ha de Pinus, ocupando aproximadamente 10% da área agrícola do estado e representando 3,8% da área de florestas plantadas do Brasil.

As florestas plantadas por possuir melhor adaptação às condições naturais adversas e oferecer maior proteção ao solo tem sido recomendada preferencialmente em áreas com baixa vocação para outras atividades agrícolas, que são mais sensíveis aos fatores limitante, principalmente de deficiência de água, nutrientes e relevo acidentado.

É relativamente recente no Espírito Santo, a utilização de madeira de eucalipto, para outros fins além do uso tradicional para celulose. Além de postes e mourões tratados, uma enorme lista de produtos da madeira de eucalipto como pranchas, ripas, vigas, tábuas, caibros, toretes, calços, cavaletes, paletes são facilmente encontrados no mercado e se integram cada vez mais à produção de embalagens, esquadrias, móveis e ao segmento de acomodação de cargas.

Apesar disso, a evolução e todas as transformações verificadas na lista de produtos madeireiros no Espírito Santo, com exceção do setor de celulose, não são do conhecimento da sociedade, por não terem sido devidamente levantadas, sistematizadas e analisadas.

Assim, foi feito um levantamento da área de produção florestal e um diagnóstico do mercado de produtos oriundos de madeira de florestas plantadas no Espírito Santo, com o propósito de dimensionar o consumo e fazer um balanço da oferta e demanda de produtos florestais madeiráveis bem como identificar as principais oportunidades e limitações do setor, visando à proposição de estratégias e ações para avançar no desenvolvimento da cadeia produtiva de florestas plantadas no Espírito Santo.

O levantamento das informações foi feito nos diferentes segmentos que consomem madeira nas suas diversas formas ( toras, carvão, lenha, resíduos, entre outros). Também foi levantado o consumo com origem nas serrarias que fazem a transformação primária/secundária das toras e nas usinas de tratamento de madeira que fornecem madeira nas suas diferentes formas aos outros setores consumidores finais.

Os produtores independentes, com plantios próprios ou induzidos pelo Programa Extensão Florestal, coordenado pelo Governo do Estado, respondem por 30,57% da área plantada com eucalipto no Espírito Santo. Comparativamente ao levantamento de 2003, realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo para atualização do trabalho sobre as estimativas de oferta e demanda de madeira de eucalipto, a participação relativa da área dos produtores independentes cresceu de 14,20% (27.000ha) para 30,57% (76.406ha). Em outras palavras enquanto a área total plantada passou de 189.850ha (2003) para 249.922ha em 2009, aumentando 32%, os plantios independentes aumentaram 2,83 vezes ou 183%. Já o programa de fomento florestal realizado pelas empresas Fibria e Suzano aumentou entre 2003 e 2009 (111%) de sua área no Espírito Santo.

A Fíbria detém uma área florestal de 159.409 ha de eucalipto nos estados da Bahia e Minas Gerais, entre áreas próprias e de fomentados, o que representa mais do que sua área própria e de fomentados no Espírito Santo, que é de 136.407ha.
Ademais o setor siderúrgico capixaba, representado pela indústria de ferro gusa, principalmente, adquire 70% da demanda de carvão vegetal fora do Espírito Santo o que equivale à necessidade de plantios florestais correspondentes a 44.100ha.
Outros segmentos consumidores de eucalipto, como as serrarias e as Usinas de tratamento consomem madeiras adquiridas em Minas Gerais e na Bahia, assim como o setor moveleiro capixaba e a construção civil consomem madeiras de eucalipto processadas pela Lyptus, cuja indústria está situada no Sul da Bahia, e é suprida por plantios da Fíbria, situados na mesma região.

A tabela 4 apresenta a síntese consolidada de oferta e demanda, considerando a demanda total, ou seja, todas as pressões de demanda do setor florestal capixaba, e seus diferentes segmentos de consumo, inclusive a demanda da planta industrial da Suzano, na Bahia, especificamente sobre o total de sua área própria e de seus fomentados localizados no Espírito Santo.

O confronto entre área plantada e a demanda de madeira de eucalipto no Espírito Santo permite extrair as seguintes constatações e considerações:

a) Verifica-se um equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda anual de madeira de eucalipto, considerando os ingressos de madeira de outros estados, especialmente, da Bahia e de Minas Gerais, para o Espírito Santo. O déficit identificado de apenas 9.916ha corresponde a cerca de 4% da área plantada do Espírito Santo, o que permite afirmar a condição de equilíbrio identificada.

b) Considerando a demanda total de madeira do Espírito Santo, verifica-se que a área plantada no Estado corresponde a 53,79% da área total necessária ao atendimento da demanda, incluindo os 37.109 ha da Suzano. Grosso modo, isto significa dizer que a área plantada no Espírito Santo é muito próxima à área de fora do Estado que atende a demanda de produtos florestais madeiráveis. Por outro lado, somente 15% da área plantada com eucalipto no Espírito Santo, atende a demanda de outros estados, especialmente a Suzano, situada no Sul da Bahia.

c) O comportamento da demanda e a dinâmica dos plantios, comparativamente a 2003, mostram que o Espírito Santo passou a ser mais dependente de madeiras de eucalipto da Bahia e de Minas Gerais. De fato, em 2003, cerca de 36% da demanda capixaba era atendida com madeiras de outros estados e agora essa dependência é de 45%. Esse aumento de dependência externa ao Espírito Santo é explicado, principalmente, pela expansão do parque celulósico sem a necessária verticalização da oferta de matéria prima a partir de plantios em território capixaba. A fusão de empresas compondo a Fibria incorpora plantios baianos.

d) Depreende-se dos dados apresentados que o dinamismo da demanda capixaba de madeira de eucalipto, para todos os fins, supera a dinâmica dos plantios no Espírito Santo, o que é indicativo de melhores vantagens comparativas, ou seja, maior atratividade econômica nos plantios na Bahia e em Minas Gerais.

e) O segmento siderúrgico importa de outros estados 70% das necessidades de carvão. No entanto, existe uma tendência de reduzir essa importação por meio da produção de carvão no Espírito Santo pelas próprias siderúrgicas ou adquiridos de terceiros, que produzem o carvão no Estado.

f) Comparativamente a 2003, a demanda de madeira de eucalipto para celulose cresceu 10,92% (de 266.700 ha para 295.816 ha) e o setor siderúrgico manteve seu parque industrial, mas cresceu a demanda de carvão em 15%. De outro lado, a demanda de madeira para outros fins cresceu 52,49% (de 45.040ha para 68.683 ha), o que representa 14.78% da demanda total de madeira de eucalipto no Espírito Santo e 27,48% da área total de florestas plantadas de eucalipto no Estado.

Neste particular, destaque especial deve ser atribuído a serrarias e usinas de tratamento de madeira, objeto de levantamento neste estudo, pela significativa expressão de consumo de madeiras, ou seja, cerca de 1 milhão m³/ano, equivalente a uma área necessária de 36.550ha (15% da área estadual de eucalipto) que já alcança 53,21% em relação à área total de florestas plantadas necessárias ao atendimento de outros fins, que não seja para processamento de celulose e produção de carvão para siderurgia.

Destaca-se também que dos principais produtos oriundos do processamento do eucalipto em serrarias, houve uma redução na produção de caixas, em função da substituição de madeira por caixas plásticas, papelão, entre outros, e o aumento significativo na produção e no número de serrarias que produzem esquadrias( portas, janelas, alisares, rodapé o outros) de eucalipto, substituindo as nativas e nas serrarias que produzem paletes, toretes, calços e outros produtos para acomodação de cargas que cresceram em função da mecanização do processo de armazenamento e logística de cargas. Cresceram significativamente também a produção de estacas imunizadas usadas, principalmente, na construção e atividades rurais e produtos de serrarias de eucalipto para construção civil e para o setor moveleiro.

g) Existe um aproveitamento elevado dos resíduos da madeira descartada, principalmente das serrarias e usinas de tratamento, que suprem grande parte da demanda de outros segmentos como o industrial diversificado, agropecuário, comercial e residencial, amenizando o déficit de madeira.

h) A disponibilização de parte do cultivo do fomento florestal em até 9% representa uma fonte alternativa de madeira importante para os outros consumidores, especialmente as serrarias e usina de tratamento.

PROSPECÇÃO PARA O CENÁRIO FUTURO DO MERCADO DE PRODUTOS FLORESTAIS NO ESPÍRITO SANTO

Em uma visão atual, a indústria de celulose encontra-se em expansão, com evidentes avanços no Espírito Santo e no Sul da Bahia, o que permite dizer que se trata de um mercado consolidado e com autonomia de crescimento, com fluxos dinâmicos de transações com madeiras entre os Estados do Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais, destacando-se, no médio e longo prazos, uma tendência de crescimento da dependência do Espírito Santo de madeiras dos outros estados, segundo a velocidade e os níveis de expansão da planta industrial e das áreas florestadas no Estado do Espírito Santo.

No setor siderúrgico do Espírito Santo é evidente a dependência de carvão vegetal de outros estados, tanto sob o aspecto da demanda para fins caloríficos como também de base de carbono para produção do aço. Mantida essa tendência, este segmento permanecerá vulnerável não só aos preços dos seus produtos siderúrgicos processados, mas principalmente aos problemas de suprimento de carvão vegetal e suas flutuações de preços no mercado brasileiro e internamente no ES.

Já o mercado de lenha “industrial” no Espírito Santo vem se expandindo, seja pela demanda das atividades agropecuárias, ou nas atividades industriais diversificadas, bem mais estruturadas. Neste particular, enquanto a demanda de lenha para uso domiciliar (cocção) no meio rural ainda esta concentrada nos resíduos de vegetação natural e de restos de culturas agrícolas, inclusive florestal, cresce o consumo de eucalipto (lenha) e dos resíduos da indústria madeireira (serrarias e usinas de tratamento), na secagem de grão (café), na avicultura, na indústria cerâmica, entre outras.

O segmento de transformação primária e secundária de toras de eucalipto, ou seja, as serrarias e as usinas de tratamento de madeira surpreenderam pelo número de empreendimentos (329 serrarias e 30 usinas de tratamento de madeira), pelos níveis de consumo e abrangência dos mercados atendidos, tanto no Espírito Santo como em outros estados. Juntas consomem praticamente 1 milhão m³ de madeira de eucalipto, o equivalente a 7,46% da produção total capixaba e 50% da demanda de madeiras, exclusive para celulose e siderurgia. Esse crescimento tem a ver com uma maior exigência de produtos certificados, com origem em florestas plantadas e manejadas, com preços mais acessíveis, bem como pelas pressões ambientais e limitações de oferta madeira de lei.

Para as serrarias, além da produção de peças destinadas à construção civil e a movelaria, observa-se o crescimento no processamento de palletes, toretes, calços e cavaletes para acomodação de cargas e uma participação mais dependente de algumas serrarias, nos pólos da indústria moveleira, a qual também, como na celulose, apresenta comportamento de crescimento e mercados próprios. Destaca-se também o uso crescente do eucalipto no setor madeireiro como também do elevado número de serrarias ( 65 serrarias) que produzem esquadrias ( portas, janelas, portais, alizares, etc) com essa espécie.

No caso das Usinas de Tratamento de madeira, seu crescimento e produção atual tem se voltado, principalmente, para o atendimento da demanda das construções rurais e da construção civil em geral.

De toda a sorte, no futuro, mantida esta condição, tende-se à estabilização, caso não se avance em qualidade da madeira, tecnologias de processamento, qualificação de mão-de-obra e em novos produtos no segmento de floresta plantada, especialmente formando “cluster” de negócios e oportunidades com maior diversificação do mercado consumidor, tais como painéis reconstituídos, indústria de embalagens finas, entre outros.

Na visão de futuro, admite-se um esforço mais bem articulado e qualificado entre todos os segmentos das cadeias produtivas das florestas plantadas de eucalipto, seus principais consumidores, agentes públicos e privados de transformação.

Visa-se com isso, à redução da dependência de madeira para celulose do Espírito Santo, em relação a outros estados, à viabilização da indústria de painéis/chapas reconstituídas e à expansão e consolidação dos negócios de movelaria e produtos sólidos de madeira no Espírito Santo.

No segmento de celulose espera-se um crescimento mais equilibrado, com inversão dos percentuais de representação dos fluxos de madeira de eucalipto entre os estados do ES, MG e BA, para atender a sua demanda interna.

Também será relevante o crescimento do fomento florestal e estímulos por parte do setor público ao aumento da área plantada, tanto para fins de fornecimento de madeira-prima para este setor, como também de reserva estratégica para outros usos.

Visualiza-se uma parceria mais efetiva e ampla entre os agentes públicos, o setor industrial e a sociedade, visando no compromisso do crescimento do setor florestal, com a ampliação do dialogo para a construção de compromissos e implementação de ações para formação de uma paisagem mais equilibrada, ou seja: compartilhamento e melhor ordenamento das áreas de plantio, vis à vis as áreas de florestas naturais, as áreas de proteção e preservação permanente, e as áreas de núcleos urbanos e de comunidades tradicionais.

No espaço rural, considerando-se os produtores de base familiar, se evidenciará uma gradativa substituição de madeira nativa pela madeira de floresta plantada, bem como oportunidades de integração desta floresta, com ganhos de escala e de mercado, considerando a pluriatividade da agricultura familiar, mediante fortalecimento do associativismo e do cooperativismo.

O avanço em pesquisa e desenvolvimento, assim como a estruturação de serviços de assistência técnica e extensão rural, focados nos diversos usos e potenciais da madeira de florestas plantadas, desde à escolha das espécies, plantios, manejo, cortes, processamento e finalidades. Tais serviços devem considerar os núcleos que venham polarizar tanto a produção de matéria-prima, como de mão-de-obra qualificada, permitindo assim crescente ganhos, com diversificação e ampliação de oferta de produtos madeiráveis, aos mais variados mercados.

Segmentos de mercado, com importante peso na economia capixaba, a exemplo da logística de transporte ferroviário e da infra-estrutura de distribuição de energia elétrica, por ainda serem demandadores de produtos madeiráveis, a exemplo dos dormentes, postes, terças, travas, etc. poderão auxiliar no desenvolvimento do setor madeireiro, incentivando os plantios, tecnologias e processamento.

AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA A CONSOLIDAÇÃO E EXPANSÃO DO MERCADO DE PRODUTOS MADEIRÁVEIS NO ESPÍRITO SANTO

• Buscar alternativas para melhorar o índice de atratividade do setor florestal no Espírito Santo, melhorando e diversificando as condições de infra-estrutura de transporte (especialmente nas regiões sul e serrana do Estado) ampliando assim a importância deste setor na pauta política do Estado;

• Articular a indústria moveleira capixaba, e fazer gestão junto aos governos Estadual e Federal, para viabilizar no Estado a indústria de chapas de madeiras reconstituídas;

• Aprofundar a análise da organização espacial dos segmentos de serrarias e de usinas tratamento de madeira, visando o fortalecimento de pólos em função da infraestrutura e condições regionais e das especificidades do mercado madeira;

• Articular ações junto aos agentes financeiros para criação de linhas de crédito específicas para as serrarias, especialmente as micro e pequenas, visando a incorporação de tecnologias e processos de beneficiamento e industrialização de produtos madeireiros;

• Promover ações de capacitação e treinamento no âmbito das serrarias, visando à difusão de tecnologias para qualificação de processos e produtos e para a otimização das plantas industriais, ampliando a produtividade e inferindo melhor qualidade do produto final;

• Ampliar as ações e potencializar o programa de Integração Indústria-produtor florestal (fomento florestal);

• Articular junto ao Governo do Estado a realização de estudo para análise de viabilidade de implantação de Usinas Termoelétricas para produção de energia a partir de madeiras de florestas plantadas;

• Desenvolver metodologia de levantamento e tratamento estatístico de preços dos produtos de madeira, nos mercados relevantes do Espírito Santo e do País, envolvendo os segmentos públicos e privados, estabelecendo divulgação sistemática em diversos meios e mídias;

• Realizar estudos e pesquisas visando ao desenvolvimento de tecnologias para melhorar os processos de tratamento de madeira, inclusive a partir do corte e da pós-colheita, ampliando-se o aproveitamento da madeira e diversificando seus usos;

• Realizar estudos e pesquisas para a identificação do potencial de uso da madeira de eucalipto, considerando suas diversas variedades, os usos diversificados da madeira e o maior valor agregado, a exemplo de produtos finos como painéis reconstituídos, embalagens finas e outros;

• Aprofundar os estudos e pesquisas para identificação e avaliação do potencial de espécies madeiráveis não tradicionais, para fins de produção econômica;

• Aperfeiçoar os procedimentos de levantamento sistemático de área de florestas plantadas no ES, e implantar metodologia específica de levantamento primário para aferição a cada dois anos das estatísticas de produção florestal, visando assegurar maior assertividade e confiabilidade às informações e dados do setor;
 

Fonte: Cedagro

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