17/01/2014 15h38

Fábrica de celulose da Braxcel fica para a próxima década

A oferta de celulose em excesso é o motivo do adiamento da instalação da fábrica

Por: Painel Florestal
 
Guilherme Sehade diz que outra unidade de produção vai gerar excesso de celulose no mercado Guilherme Sehade diz que outra unidade de produção vai gerar excesso de celulose no mercado

O acionista do grupo paulista GMR, Guilherme Sahade, anunciou esta semana que a instalação da fábrica de celulose da Braxcel, no Tocantins, prevista para entrar em operação em 2019, foi adiada para depois de 2021. Sahade alegou que a postergação do início da operação se dá pelo excesso de oferta de celulose no Brasil até o final desta década.

Para Sahade, esta nova data de operação da fábrica da Braxcel trará mais conforto para a empresa, principalmente porque para produzir 1,5 milhões toneladas por ano é necessário uma área plantada com 180 mil hectares de eucalipto e, no momento, a empresa detém 48 mil hectares, sendo que em 4 mil a fase ainda é de experimentação. Como o eucalipto hoje é cortado com seis ou sete anos após o plantio, o ano de 2021 vai trazer mais tranquilidade para a empresa e seus acionistas.

Este adiamento vai permitir à Braxcel um período mais tranquilo para o desenvolvimento de testes clonais com mais material genético a ser utilizado na região Norte do Brasil. A partir de 2015, a empresa fará novos plantios no Estado do Tocantins. Mesmo assim, o atual planejamento da Braxcel prevê que 50% da madeira virão de plantações em áreas próprias e outros 50% serão comprados de outros silvicultores.

Manoel de Freitas acredita que, com mais tempo para fazer testes clonais, a produção será maior e melhor Manoel de Freitas acredita que, com mais tempo para fazer testes clonais, a produção será maior e melhor

O diretor florestal da Braxcel, Manoel de Freitas, reforçou que o adiamento da instalação da nova unidade produção vem de questões de mercado, destacando que este ano 2,8 milhões de toneladas serão comercializadas pela Suzano Papel e Celulose e de Montes del Plata, no Uruguai. Para 2015, já está previsto mais 1,3 milhões de toneladas provenientes da CMPC Celulose Riograndense. Já em 2016, a Klabin vai inaugurar uma nova unidade de produção no Paraná, colocando no mercado mais 1,5 milhões de toneladas de celulose por ano, isso tudo sem contar com a duplicação da Eldorado Brasil e da segunda linha de produção da Fibria, ambas no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.

Na avaliação de Manoel de Freitas, agora em 2014 a Braxcel estará completando sete anos de testes clonais com eucalipto no Tocantins. Freitas confirma que o Tocantins faz parte da nova fronteira da indústria da celulose no País, juntamente com os Estados do Maranhão e Piauí. Ele disse ainda que no Tocantins há uma grande variação de clima e solo e, por isso, este adiamento permitirá que o investimento da Braxcel seja de grande porte e, ainda, mais seguro. No momento, mais de 100 clones foram testados no Estado e outros 60 serão experimentados nos próximos dois anos. No final dos testes, a Braxcel utilizará os dez melhores clones e iniciará um plantio de 26 mil hectares por ano. A Braxcel investirá pelo menos R$ 5 bilhões no Tocantins.

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