22/03/2018

Crescimento no setor de celulose impulsiona mercado de plantações e de certificação socioambiental no Brasil

Acréscimo nos volumes de produção e exportação de commodities traz alento para setor ambiental brasileiro, influenciado por padrões de responsabilidade socioambiental

Por: Bruno Bianchin - Imaflora
 
 
Uma das fábricas de celulose em Três Lagoas/MS/Brasil - A cidade é considerada a capital mundial da celulose Uma das fábricas de celulose em Três Lagoas/MS/Brasil - A cidade é considerada a capital mundial da celulose

No papel, nas caixas, nos móveis. A madeira está presente o tempo todo no dia a dia de milhares de pessoas. E é neste mercado que o Brasil ocupa uma posição de vanguarda: a segunda posição entre os maiores exportadores de celulose no mundo.

Com cerca de 13 milhões de toneladas enviadas para o exterior anualmente, o País está à frente de Índia e China e logo atrás dos Estados Unidos, donos da maior produção mundial, nesse mercado.

Entretanto, a silvicultura brasileira ainda ocupa uma pequena área se comparada a esses países, que concentram mais de 60% das plantações florestais do mundo todo. Em terras tupiniquins, apenas 11% da área cultivada é ocupada por florestas plantadas – principalmente por pinus e eucalipto, representando 3% da plantação mundial.

"O mercado de celulose estabeleceu-se como uma das principais commodities do Brasil nos últimos anos. E, hoje, também internamente, cerca de 65% da madeira comercializada que circula pelo País têm como origem a indústria de base florestal. É um mercado em expansão e que deve aportar cada vez mais recursos empresariais e governamentais", comenta o coordenador de certificação florestal do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Guilherme de Andrade Lopes.

E os números do segmento em 2017 endossam essa afirmação. No último ano houve um avanço de 3,8% na produção brasileira de celulose, alcançando 19,5 milhões de toneladas. O crescimento foi capitaneado pelas exportações à China e à Europa, que alavancaram as taxas. O papel, outro produto comercializado mundo afora pelo País, com 10,5 milhões de toneladas produzidas, teve alta de 1,4%, em comparação com 2016, de acordo com dados do Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

"A madeira pode ser utilizada para fins industriais, geração de energia e outros importantes indutores do desenvolvimento econômico. Pelas suas diferentes características, a sua demanda comercial deve triplicar até 2050, segundo estimativas do WWF (Fundo Mundial para a Natureza)", afirma Andrade Lopes.

Brasil – Atendendo demanda de crescimento no setor, também no ano passado, o Imaflora, uma entidade civil sem fins lucrativos, responsável pela certificação e validação das normas de auditoria FSC® - Forest Stewardship Council® (Conselho de Manejo Florestal), que reconhece as práticas de responsabilidade socioambiental no setor de base florestal, viu sua cobertura crescer. Trezentos mil novos hectares de plantações florestais foram auditados e certificados.

"Esse crescimento é resultado de um trabalho árduo, que começou em 1995, com sociedade, parceiros e comunidade empresarial, e que alçou o Imaflora à posição de vanguarda nas discussões sobre sustentabilidade e certificação florestal. Hoje, somos responsáveis pela certificação de mais de 3 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil, sendo o maior certificador do País, com cerca de 65% de participação no mercado", acrescenta Andrade Lopes.

Atualmente, existem cerca de 8 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil. A área ocupa menos de 1% da superfície total do País (aproximadamente 850 milhões de hectares). Esse montante é responsável pela produção de 17% de toda a madeira oriunda de plantações florestais colhida anualmente no mundo. No Brasil, 70% dela é certificada pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal).

Em termos mundiais, a área de florestas plantadas ocupa cerca de 264 milhões de hectaes.

FSC – O FSC (Conselho de Manejo Florestal) é um padrão reconhecido mundialmente por sua governança multissetorial, abrangência e pela geração de benefícios socioambientais nas atividades de manejo florestal ou às indústrias que processam ou comercializam produtos de origem florestal. É um sistema criado e mantido por um fórum de representantes dos setores ambiental, econômico e social. Está presente em mais de 80 países.

O mercado em 2017 – De acordo com o balanço divulgado pelo Ibá, o setor de base florestal registrou um avanço de 12,9% no saldo da balança comercial em 2017, quando comparado com o ano anterior, alcançando o valor de US$7,5 bilhões. Em termos de representatividade, as exportações do setor produtivo de árvores plantadas foram responsáveis por 3,9% de todo o volume de bens e produtos negociados pelo Brasil com outros países. O mercado interno de painéis de madeira registrou avanço de 4% em suas negociações, totalizando 6,5 milhões de m³ vendidos. Já o segmento de papel encerrou 2017 com saldo positivo de 0,7%, somando 5,5 milhões de toneladas comercializadas.

 
 

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