03/10/2017

Com preços em queda, MS continua liderando expansão florestal no país

Há indícios, no entanto, de redução no ritmo de novos plantios no Estado

Painel Florestal
 
Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck

Não é de hoje que Mato Grosso do Sul está no topo do ranking da evolução da área plantada de eucalipto no país. Somente nos últimos cinco anos, a expansão anual foi de 13%, em média. Com isso, em 2017, a área ultrapassou a marca de um milhão de hectares, número previsto - no Plano Estadual de Florestas - para 2030.

As duas fábricas de celulose do estado detém aproximadamente 50% desse total. De acordo com o recém divulgado Relatório de Sustentabilidade da Eldorado Brasil, empresa que está sendo comprada pela estrangeira Paper Excellence, são 239 mil hectares com produtividade média de 45 metros cúbicos por hectare/ano.

A Fibria, de acordo com o mesmo relatório, possui 372 mil hectares, mas não divulga a produtividade. Com madeira de sobra para as indústrias, as parcerias florestais na região estão sendo renegociadas. Ano a ano, a área sob regime de fomento tem caído.

No caso da Fibria, por exemplo, a área contratada no regime de fomento florestal na região de Três Lagoas caiu pela metade de 2014 para cá (2.656 em 2014 vs 1.382 em 2016).

A falta de novos incentivos, o preço da madeira que - em muitos casos - não remunera a terra imobilizada e a inexistência de outras cadeias de negócio, estão levando a muitos produtores a desistir da atividade, numa espécie de "acomodação de mercado".

Fica clara, diante desse cenário, que a dependência da indústria de celulose, pelo menos para o produtor florestal independente, não é viável.

Sem mercado

De acordo com dados da Associação Sul-mato-grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), existem aproximadamente 200 mil hectares sem destinação econômica. Além do impacto no preço da madeira, o excesso de oferta traz outros problemas.

Sem remuneração, a base do setor investe menos no manejo da floresta e acaba "achatando" os prestadores de serviços também.

O governo do Estado está atento ao cenário. O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, tem buscado - pessoalmente - novos investimentos para Mato Grosso do Sul.

"Estamos buscando empreendimentos que façam uso desse eucalipto, como na área de mineração, biomassa e ainda queremos expandir a questão da madeira, em móveis, paletes, buscando indústrias que processem essa madeira", destaca o secretário.

Com projetos cadastrados no Ministério de Minas e Energia, uma das expectativas do secretário é com a realização dos leilões de energia nova previstos para dezembro deste ano. "Vamos acompanhar de perto", ressalta Jaime.

Para janeiro está prevista a inauguração da primeira fábrica de MDF do Estado. A Green Plac, do grupo Asperbras, está instalada no município de Água Clara. O consumo de carvão vegetal também deve aumentar, em médio prazo, já que há rumores sobre o reaquecimento da indústria siderúrgica em Mato Grosso do Sul e também em Minas Gerais.


Jaime Verruck é um dos convidados do encontro de líderes e gestores do setor florestal que acontece no dia 26 de outubro, em São Paulo.

O evento GPS Talks Insights também terá a presença do diretor florestal da Eldorado Brasil, Germano Vieira.

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