19/11/2017

Com novos movimentos no mercado, Mato Grosso do Sul volta a ser bola da vez

Demanda por madeira deve aumentar mas preços devem continuar estáveis

Painel Florestal
 

Os últimos movimentos do mercado colocaram Mato Grosso do Sul mais uma vez como destaque no cenário de negócios florestais.

Com um milhão de hectares de florestas plantadas de eucalipto, a Associação Sul-mato-grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS) chegou a anunciar que haveria aproximadamente 200 mil hectares sem destino.

Na verdade, o número era apenas uma estimativa baseada em dados da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e da Agricultura Familiar) que reforçava a preocupação do Estado em atrair novos investimentos visando a diversificação no consumo da madeira disponível em Mato Grosso do Sul.

Nas últimas semanas, nossa reportagem esteve em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas, e constatou que a procura por madeira aumentou mas ainda não chegou a impactar os preços pagos pelos principais consumidores do estado.

"Ainda é um movimento discreto mas já é possível perceber uma maior preocupação com o suprimento das fábricas de celulose", exemplificou um prestador de serviço que atua há 10 anos em Mato Grosso do Sul mas preferiu não se identificar.

Uma das fábricas está mapeando maciços disponíveis até Campo Grande, distante 320 quilômetros de Três Lagoas

Ele comentou que uma das fábricas está mapeando maciços disponíveis até Campo Grande, distante 320 quilômetros de Três Lagoas.

Entre os movimentos que podem estar "reaquecendo" o mercado, o aumento da capacidade de produção nominal tanto da Fibria (de 1,75 para 1,95 milhão de toneladas/ano no Projeto Horizonte 2) quanto da Eldorado Brasil é um deles.

A eficiência nas operações industriais somada ao apetite internacional por celulose, fizeram com que as indústrias batessem recordes de produção, aumentando - consequentemente - o consumo de madeira.

Outro movimento, amplamente divulgado, é a negociação da Eldorado Brasil com a holandesa Paper Excellence (PE), que posiciona um novo player no mercado.

Ainda é cedo para dimensionar o entusiasmo da futura controladora da Eldorado quanto a novos projetos em Mato Grosso do Sul mas os primeiros passos demonstram que a família Wadjaja (proprietária da PE) não entrou para brincar.

Viveiro de mudas florestais em Ribas do Rio Pardo continua produzindo Viveiro de mudas florestais em Ribas do Rio Pardo continua produzindo

Há ainda, a expectativa de tirar do papel a fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo que - comprovadamente - é um dos projetos mais viáveis do mundo, segundo especialistas.

O reaquecimento da indústria siderúrgica e a eminência dos leilões de energia reforçam a possibilidade de aumento de consumo de madeira em Mato Grosso do Sul.

Um detalhe que não pode ser desconsiderado e que muitas vezes é motivo de conclusões precipitadas é que hectare não é metro cúbico.

O fato de Mato Grosso do Sul possuir um provável excedente de 200 mil hectares só poderia ser confirmar através de um rigoroso inventário que considerasse também as perdas de produtividade por pragas e doenças (que foram bem intensas nos últimos dois anos), incêndios e outros fatores.

Outra questão, é ter claro o mapeamento por idade, volume e área de plantio.

Esses fatores não foram levados em considerações, por exemplo, pelo Banco do Brasil que travou a liberação de novos financiamentos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO).

"Tivemos alguns clientes prejudicadas por essa medida. Mesmo os que haviam pagos seus empréstimos em dia", reclamou uma das fontes consultadas pela reportagem.

Gabriel Providello: Gabriel Providello:"Nos mantivemos firmes, acreditando na retomada do mercado"

A liberação de novos empréstimos estariam condicionada à contratos de intenção de compra firmados com as indústrias de celulose, fato que reforçaria - ainda mais - a dependência dos produtores às condições de preço que, hoje, são bastante desfavoráveis.

Mesmo assim, há otimismo. O empresário Gabriel Providello, proprietário de um viveiro em Ribas do Rio Pardo, continua investindo na produção de mudas de eucalipto.

"Mesmo com a retração do mercado, nos mantivemos firmes, mantendo a qualidade dos nosso materiais genéticos pois acreditamos que, a qualquer momento, a demanda vai aumentar", ressaltou.

Esses e outros temas serão debatidos numa série de encontros nos próximos dias 5 e 6 de dezembro, em Campo Grande, Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. As inscrições são gratuitas mas as vagas são limitadas.

Inscriçõese programação completa em: http://gpstalksinsightsontheroad.paginas.site/ontheroadms.



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