17/06/2017

Arauco pode, finalmente, ter operação de celulose no Mato Grosso do Sul

Com ativos florestais no estado, Chilena faz proposta para adquirir Eldorado Brasil

Painel Florestal
 

Atualizado em 18.07, às 08h46

Não é de hoje o interesse da Arauco em uma operação de celulose em Mato Grosso do Sul. A empresa, que "desanimou" quando foi proibida - pelo parecer da AGU - de continuar comprando terras para expandir suas áreas florestais, nunca desistiu do estado.

Com 70 mil hectares na região de Três Lagoas, a chilena pode estar a poucos passos de adquirir a Eldorado Brasil. As especulações sobre uma possível desmobilização de ativos da holding J&F Investimentos, controladora da fábrica, ganharam força logo após o acordo de leniência com o Ministério Público Federal.

O grupo teria decido focar em suas operações de carne, responsável por 80% do faturamento da empresa. Com uma expansão anunciada em 2015, todas as possíveis negociações e ofertas foram negadas pela diretoria da Eldorado Brasil.

Segundo informações de bastidores, a Fibria, que também está em Mato Grosso do Sul, já teria demonstrado interesse pelas operações da "concorrente".

Dessa vez, com a divulgação de fato relevante nesta sexta-feira, 16 de junho, a informação foi confirmada e a Arauco, oficialmente, formalizou proposta superior a R$ 11 bilhões para a J&F Investimentos.

Jaime Verruck, secretário da SEMAGRO/MS Jaime Verruck, secretário da SEMAGRO/MS

Segundo informações de bastidores, a Fibria, que também está em Mato Grosso do Sul, já teria demonstrado interesse pelas operações da "concorrente".

Dessa vez, com a divulgação de fato relevante nesta sexta-feira, 16 de junho, a informação foi confirmada e a Arauco, oficialmente, formalizou proposta superior a R$ 11 bilhões para a J&F Investimentos.

Há, de acordo com alguns especialistas, a possibilidade de uma joint venture, semelhante à da Veracel (arranjo da Fibria com a Stora Enso).

OPINIÕES

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul, Jayme Verruck, o governo está acompanhando de perto dos desdobramentos dessa negociação. "Nossa preocupação são com os contratos com produtores, compromissos fiscais e ambientais, a geração de empregos, enfim, estamos atentos", ressaltou.

A presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas, Gláucia Jaruche, também está atenta com possíveis impactos para a economia local. "A Arauco já é conhecida de Três Lagoas. Temos boas referências dos comerciantes e prestadores de serviços que já atenderam a fazenda deles na região. De qualquer forma, vamos acompanhar de perto para manter nossos associados bem informados", comentou Gláucia.

Presidente da Reflore, Moacir Reis Presidente da Reflore, Moacir Reis

Para o presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia, o projeto - de tão longo prazo - deve continuar sua história, independente de quem seja o investidor. "A Arauco é uma empresa de reconhecimento internacional e grande saúde financeira. Acreditamos que ela seria uma excelente opção", opinou.

Moacir Reis, presidente da Reflore/MS (Associação Sul-matogrossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas), acredita que o projeto Vanguarda 2.0 - de expansão da empresa, deve ser acelerado. "A Arauco é uma empresa mais 'imune' às ações externas. Acreditamos que será positivo", comentou Moacir.

FINANCIAMENTO

De acordo com a coluna do 'Broadcast', do Estadão, o Santander está interessado no financiamento da operação de venda. A receita como assessor financeiro da negociação não seria o foco do banco. Na avaliação da instituição espanhola, conceder financiamento a uma companhia de elevado rating e pouca alavancagem seria um excelente negócio.

A favor do Santander estaria o fato de ser o maior banco do Chile. Conforme a coluna, o banco não comentou o assunto.

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