06/10/2017

10 Tendências para Negócios e Mercado Florestal em 2018

Para entender melhor quais são as principais tendências de negócios e do mercado de base florestal para 2018, o Painel Florestal ouviu especialistas e consultores

Por Robson Trevisan - Painel Florestal - Atualizado em 09.10
 

Ainda não se sabe a taxa de crescimento da área total de florestas plantadas de 2017. Mas o número não deve ser muito maior que os 0,5% registrado em 2016 em relação ao ano anterior.

Para 2018, no entanto, a expectativa é melhor. "Devemos ter um crescimento de 3 a 4%", opina Joésio Siqueira, vice-presidente da STCP Engenharia de Projetos.

A realização das eleições presidenciais também deve injetar algum ânimo na economia e impactar o segmento de madeira sólida.

Para entender melhor quais são as principais tendências de negócios e do mercado de base florestal para 2018, o Painel Florestal ouviu especialistas e consultores.


1. 2018, o Ano da Biomassa Florestal

Seja para geração de energia, vapor ou processos, o mercado de biomassa florestal deve se consolidar como promissor a partir de 2018. "O mercado para secagem de grãos deve crescer em aproximadamente 10%", ressalta Joésio.

A geração de energia a partir de biomassa florestal também deve se estruturar.

"São muitas apostas mas o mercado ainda não deve deslanchar", pondera Márcio Funchal, da Consufor.

Para Marcelo Ambrogi, da IMA Gestão e Análise Florestal, as usinas de etanol de milho prometem abrir um novo mercado para biomassa de eucalipto. "Os novos projetos estão melhor estruturados e devem consolidar o uso energético da madeira", comenta.

Para geração de energia, considerando os leilões de energia nova previstos para o fim desse ano e também para o próximo, a previsão é a biomassa florestal alcance a produção de 200 MW, incluindo geração distribuída. "Estamos acompanhando o tema de perto", observa Aldo De Cresci, da GCN Advogados.

No Rio Grande do Sul, o anúncio de uma fábrica de peletes com investimento de R$ 1 bilhão também está "aquecendo" o mercado. A PellCo, do empresário Luiz Eduardo Batalha (um dos maiores criadores de gado Angus e Nelore do Brasil), atraiu como sócios os investidores do fundo britânico CastlePines, presidido por David J. Grose.

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2. Maior "Profissionalização" do Produtor Florestal

"O melhor adubo para a madeira é o preço". A conhecida frase do consultor Manoel de Freitas refletiu, em 2017, a decisão de muitos produtores rurais a deixarem a atividade florestal.

"Isso deve refletir em uma maior "profissionalização" do setor", comenta Moacir Reis, presidente da Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas).

Em Mato Grosso do Sul mas também em outros estados, muitos produtores rurais decidiram investir no eucalipto sem considerar todas as premissas que um projeto florestal exige. Resultado: sobra de madeira e preços que chegaram a R$ 5 m3 em pé.

O duro aprendizado deve trazer, como principal consequência, mais maturidade nos novos projetos florestais. Dificilmente teremos novos produtores rurais entrando no negócio florestal sem considerar a existência de uma demanada consolidada para a madeira produzida.

"Esse cenário também deve refletir no mercado de consultoria. Cada vez mais, os investidores florestais vão respaldar suas decisões em planos de negócios e estudos de viabilidade bem elaborados", acredita Arthur Neto, da InvestAgro.

Da mesma forma, essa tendência deve impactar as consultorias técnicas, objetivando melhor rentabilidade e a aplicação de novas tecnologias que otimizem os investimentos florestais.



Associados da recém criada ProCEDRO Associados da recém criada ProCEDRO

3. Associativismo vs Fomento Florestal

Se por um lado, a área sob fomento florestal está em queda no país; por outro, o associativismo começa a ganhar força.

Responsável direta por mais de 60% da área plantada, a indústria de celulose tem investido - cada vez mais - na parceria com fundos de investimentos para suprir parte da sua demanda de matéria prima.

Com isso, o espaço para programas de fomento e parcerias com produtores rurais tem diminuído. Na região de Três Lagoas, por exemplo, a área contratada no regime de fomento florestal pela Fibria caiu pela metade de 2014 para cá (2.656 em 2014 vs 1.382 em 2016).

Já o associativismo - seja com o objetivo de desenvolver novos mercado, reduzir custos com ganho de escala ou para desenvolver soluções para os principais gargalos da atividade - começa a se desenhar no setor. Esse é o caso, por exemplo, da Cooperativa Florestal Brasil Central (ARBO), de Goiás.

"Estamos tentando nos organizar, buscando soluções e tentando disciplinar o mercado", explica o presidente Hans Brunckhorst.

Os produtores de cedro australiano também fundaram, em 2017, sua associação, a ProCEDRO (Associação Brasileira de Produtores de Cedro Australiano).


Fachada do projeto do prédio de 13 andares que será construído em CLT pela Amata, em São Paulo Fachada do projeto do prédio de 13 andares que será construído em CLT pela Amata, em São Paulo

4. Madeira de Eucalipto na Construção Civil

Não é tarefa fácil e nem será em 2018 que o mercado vai se consolidar. Contudo, iniciativas como a do recém criado Núcleo da Madeira e da empresa Amata, que anunciou o projeto de um prédio de 13 andares totalmente em madeira em São Paulo, têm ajudado a difundir, cada vez mais, o uso da espécie na construção civil no país.

Nesse sentido, são poucos os plantios de eucalipto conduzidos atualmente no Brasil para a produção de toras e madeira serrada. Há, no entanto, para 2018, a expectativa de pelo menos um grande projeto industrial de madeira sólida. "Será um novo modelo para o setor, o que irá motivar investimentos florestais de maior prazo", prevê Marcelo Ambrogi.

Atualmente, o uso de madeira laminada colada (MLC) de eucalipto tem viabilizado grandes projetos. Esse foi o caso, por exemplo, do premiado projeto Moradias Infantis, de 25 mil metros quadrados, construído em Formoso do Araguaia (Tocantins).

Para prédios elevados, como será o caso da iniciativa da Amata, a solução será através do CLT ou Cross Laminated Timber.

Baixe, gratuitamente, o podcast com Daniel Salvatore, da Ita Construtura, sobre o uso de madeira de eucalipto na construção civil, gravado durante o GPS Talks Insights #1, realizado no dia 17 de agosto em São Paulo.


5. Novos Players e Novas Consolidações

Novos processos de fusões e aquisições devem continuar. Os grandes players também devem fazer novos ajustes de portfólio. "Existe a previsão de retomada para alguns setores da indústria", avalia João Comério, CEO da Innovatech.

Também há expectativa para anúncio de novas unidades industriais, incluindo um novo projeto de celulose e mais uma ou duas de chapas.

"Teremos a anúncio de um novo projeto de celulose", anuncia Joésio Siqueira sem poder dar mais detalhes do projeto, por enquanto.


6. Carvão Vegetal em Minas Gerais

O fato da indústria siderúrgica em Minas Gerais ser praticamente 100% verticalizada faz com que a recuperação do setor, ainda em fase inicial, impacte muito pouco no consumo de carvão vegetal de mercado.

Esse impacto, no entanto, deve refletir em pequenos reajustes pontuais no preço do carvão mas nada que, realmente, traga, em 2018, os patamares de preços de outras épocas.

"O setor de gusa está vivenciando uma certa reação e o preço do carvão vegetal realmente tem subido mas apenas empatando preço de mercado com custo de produção", ressalta Dárcio Calais, assessor técnico do Sindicato da Indústria de Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer).

Leia também: União Europeia sobretaxa aço brasileiro


7. O Retorno dos Investidores Estrangeiros

Com indicadores econômicos em recuperação, os olhos dos investidores estrangeiros começam a se voltar, novamente, para o Brasil.

A partir da análise dos resultados obtidos após a "primeira era" de investimentos florestais iniciada no final da década passada, o apetite ficou mais moderado. Mesmo assim, o país continuará sendo atrativo para novos investimentos.

"Existe uma quantidade absurda de dinheiro para ser investido no Brasil", alertou Silvio Teixeira, da Brookfield, durante a primeira edição do GPS Talks Insights

Mas Bob Flynn, da consultoria internacional RISI, pondera: "Os investidores em madeira não estão somente preocupados com as taxas de crescimento e taxas de retorno, mas também com os riscos como custo de mão de obra, mercado interno consolidado, corrupção e índices de inflação".

Mesmo assim, o fundo de investimentos CastlePines, está investindo US$ 350 milhões em uma fábrica de peletes no Rio Grande do Sul. Pouco conhecido no setor florestal brasileiro, o fundo se associou ao empresário Luiz Eduardo Batalha nno projeto da PellCo, que vai produzir 900 mil toneladas de peletes de eucalipto.

Em 2018, novos projetos devem ser anunciados, incluindo projetos de espécies alternativas como mogno africano e cedro australiano.

Se as restrições de compra de terras por estrangeiros forem derrubadas o cenário muda. "Se cair, teremos um novo ciclo de investimento no país", opina João Comério.

Para o próximo ano, o preço de terras para reflorestamento deve começar a subir. "Nos últimos anos, os preços estavam razoavelmente estabilizados", reforça o consultor Manoel de Freitas.


8. Finalmente, o Plano Nacional de Florestas Plantadas Sairá do Papel

Essa talvez seja uma das melhores notícias para 2018. O Plano Nacional de Florestas Plantadas, agora sob coordenação da Embrapa Florestas, deve - finalmente - sair do papel.

O plano deverá contemplar um diagnóstico da situação do setor florestal incluindo o inventário florestal e, com isso, definir metas de produção alinhadas com as perspectivas de demanda.

O estudo terá uma visão de 10 anos e pretende preencher lacunas importantes como a integração com outros "planos" e abordar produção, proteção e restauração.

A previsão inicial é que o plano fique pronto logo no início do ano.


9. Os Acordos Internacionais

2018 também será o ano de começar a tirar do papel os investimentos em recuperação de áreas degradadas com reflorestamento para o cumprimento dos acordos internacionais assumidos pelo Brasil.

A Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) tem atuado - de forma relevante - para incluir o setor de florestas plantadas nos mecanismos internacionais de mercado validados e ratificados pelos acordos, como o de Paris.

Leia também: Base florestal terá papel importante na sustentabilidade


10. E o Preço da Madeira?

Já está reagindo lentamente e deve continuar assim, num contexto geral. Obviamente, que há especificidades no mercado.

"A madeira de eucalipto tenderá a estabilizar de preços, ou seja, o movimento de queda de preços tende a desaparecer", opina Manoel de Freitas.

A acomodação entre oferta e demanda causada, principalmente, pela redução na expansão de novos plantios florestais no país, deve refletir - pontualmente - em uma pequena melhora do preço da madeira em algumas regiões.

"Em São Paulo e Mato Grosso do Sul os preços devem continuar estáveis - ou seja, baixos ainda - sem previsão de muitas mudanças", alerta Márcio Funchal.

De fato, não haverá recuperação importante de preço e o pequeno produtor florestal deve amargar mais um ano sem "fechar a conta".

No sul, o pinus, vai continuar à mercê de movimentos da indústria mas ainda com excesso de madeira fina e falta de grossa.

Por outro lado, o mercado de resina - mais forte no sul do estado de São Paulo e com presença também no triângulo mineiro - está em recuperação desde o ano passado e deve continuar assim.

"A extração de resina pode ser uma boa opção de renda anual para o produtor", explica Arthur Neto, da InvestAgro.

Se você é profissional da área de marketing, comercial, comunicação e eventos e atua no setor florestal, leia também: 5 Tendências de Marketing para o Setor Florestal em 2018!


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