07/08/2017 19h34

Artesanato indígena Ofayé ganha espaço para exposição e comercialização com apoio da Fibria

Peças integram projeto que auxilia na revitalização da cultura da única etnia Ofayé registrada pela Funai

Por: Painel Florestal - Assessoria
 
A comercialização vem sendo feita nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro A comercialização vem sendo feita nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro

A Fibria, por meio do Plano de Sustentabilidade Indígena Ofayé (PSIO), busca promover a revitalização cultural da única etnia Ofayé do mundo, registrada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Com esse intuito, o artesanato produzido pelos indígenas, acaba de ultrapassar os limites de Brasilândia (MS) e agora pode ser apreciado e comercializado nos estados de São Paulo e Rio Janeiro.

Esta conquista é resultado de uma negociação conjunta entre a Casa do Artesão de Três Lagoas (MS), o designer têxtil, Renato Imbroísi e as lojas que recebem as peças. Em São Paulo, o artesanato Ofayé está exposto na loja Absolutamente Necessaire e no A CASA - Museu do Objeto Brasileiro, localizados no bairro Pinheiros; e na Loja Dpot, situada no Jardim Paulistano. No Rio Janeiro, o artesanato é encontrado na loja Trama Casa, no bairro de Ipanema.

A coleção é composta de toalhas de mesa, guardanapos, jogos americanos, sacolas, dentre outros itens que são resultado do projeto Artesanato Ofayé. "A cultura Ofayé é valiosa para o município de Brasilândia (MS) e para todo o Brasil. Eles estão reencontrando suas tradições e mantendo vivo um legado que quase se perdeu no tempo. É uma satisfação proporcionar esse reencontro dos Ofayé com a sua identidade indígena, para que eles possam se manter fortes e consigam perpetuar suas tradições", diz a coordenadora de Sustentabilidade da Fibria, Flávia Tayama.

Em Três Lagoas (MS), o artesanato indígena pode ser conferido e adquirido na mostra permanente da Casa do Artesão, localizada na circular da Lagoa Maior. A visitação é aberta ao público, de segunda a sexta-feira, nos períodos das 7h às 11h e das 13h às 17h, e aos sábados, das 7h às 12h.

O artesanato é produzido pelos indígenas O artesanato é produzido pelos indígenas

Atuação da Fibria junto aos Ofayé

Para promover a revitalização cultural dos Ofayé, em 2013 a Fibria reuniu, em uma cartilha termos do dialeto local, com o apoio dos indígenas. O material foi entregue à tribo, localizada no município de Brasilândia (MS), para manter viva a sua língua, incentivando-a à familiarização e adoção dos termos usados nas conversas do dia a dia. A empresa também viabilizou a construção de um campo de futebol society, para desenvolver a integração social e a formação de um time batizado como "Xeheki Agaxäfwatae", expressão que significa "Os Guerreiros" na linguagem Ofayé.

Em 2014, a Fibria incentivou o trabalho dos indígenas com o artesanato, não só para valorizar a história e os costumes dos Ofayé, mas também para expressar a memória cultural desse povo. Antes de confeccionar as peças, entretanto, foi necessário um levantamento cultural dos costumes Ofayé e, para isso, a Fibria contou com a consultoria do antropólogo Carlos Alberto Dutra, contratado para assessorar com acervos e registros étnico-culturais e iconográficos que foram utilizados como referência na elaboração do projeto de artesanato indígena, feito pelo designer têxtil Renato Imbroísi, profissional reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento de trabalhos com diversas nações indígenas do Brasil e povos do exterior. Atua também como consultor da Fibria em diferentes projetos em diversos estados.

Já em 2017, com o intuito de promover a socialização e dar continuidade a um projeto de revitalização cultural, a Fibria, por meio do Plano de Sustentabilidade Indígena Ofayé (PSIO), participou da inauguração do Centro Cultural Indígena Xahta Xehita-há, localizado na Aldeia Anodi, em Brasilândia (MS).

A doação dos materiais para a referida construção foi disponibilizada pela empresa e, em contrapartida, os próprios índios da aldeia ergueram o espaço, cuja estrutura foi concebida a partir de eucalipto tratado com a cobertura em sapé. Em relação ao salão, a comunidade pediu para que fosse construído como uma réplica de um antigo centro comunitário que aparece fotografado em um livro histórico sobre o povo Ofayé. Além de sediar reuniões e confraternizações, o Centro Cultural Indígena também funcionará como ponto de encontro das mulheres da aldeia que trabalham com o artesanato Ofayé.

A Fibria também tem incentivado a produção agrícola agroecológica junto aos indígenas, com o objetivo de potencializar os cultivos que eles já produziam na aldeia.

Sobre os Ofayé

O Povo Ofayé, conhecido na literatura como Ofayé Xavante, vive no município de Brasilândia, Estado do Mato Grosso do Sul. Chegou a constituir mais de dois mil indivíduos no começo do século XX, quando habitava as margens do rio Paraná estendendo seus domínios pelos cerrados, desde os campos da Vacaria até as margens do Sucuriú. Nestas regiões os Ofayé coletavam mel silvestre, colhiam guaviras e "caçavam" o peixe ao longo dos rios Verde, Pardo, Taquaruçu e Boa Esperança, na região chamada Costa Leste do Bolsão sul-mato-grossense.

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