24/11/2017

Investimento estrangeiro no Brasil aumenta 9% entre janeiro e outubro

Os dados foram apresentados ontem pelo Banco Central

DCI
 

O investimento direto no País (IDP) somou US$ 60,013 bilhões entre janeiro e outubro, um aumento de 9,1% na comparação com igual período do ano passado.

Os dados foram apresentados ontem pelo Banco Central. A melhora da percepção internacional sobre o Brasil e o avanço das concessões federais explicam parte do crescimento do IDP em 2017, de acordo com especialistas consultados pelo DCI.

Entretanto, eles ponderam que a expansão dos aportes não compensou o recuo do investimento interno e afirmam que as incertezas político-econômicas podem frear a trajetória de alta do IDP durante o ano que vem.

"O governo não está conseguindo controlar a trajetória da dívida pública e a questão fiscal continua preocupante. Não vejo motivo para uma alta do investimento em 2018", afirma Mauro Rochlin, professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Já Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, diz que as eleições devem impedir o avanço dos aportes. "Para voltarmos ao auge do IDP, visto antes da crise, será necessária a eleição de um candidato que defenda a continuidade da agenda de reformas."

A Tendências projeta a entrada de US$ 73,5 bilhões em IDP neste ano, um pouco menos que os US$ 75 bilhões esperados pelo governo. Para 2018, a consultoria prevê o aporte de US$ 74 bilhões, abaixo dos US$ 80 bilhões projetados pelo governo.

Em 2016, o investimento estrangeiro chegou a US$ 78,183 bilhões, com bons resultados das aplicações nos últimos meses do ano. Destino dos aportes: o setor de serviços puxou o aumento do IDP em 2017, ao registrar a entrada de US$ 30 bilhões, uma alta de 76,4% no confronto com 2016. Já os investimentos na indústria (-4%) e na agropecuária (-60,4%) recuaram neste ano.

Na visão de Campos Neto, é natural que o setor de serviços, predominante na economia brasileira, tenha resultados melhores durante o período de recuperação do PIB do País.

No recorte pela origem do investimento, os Estados Unidos se mantiveram como principal fornecedor de recursos para o Brasil, com US$ 10 bilhões em aportes entre janeiro e outubro. Em seguida, figuraram Ilhas Virgens Britânicas (US$ 8,589 bilhões) e Países Baixos (US$ 7,136 bilhões).

Déficit nas contas: o IDP deste ano cobriu com folga o déficit nas transações correntes, de US$ 3,033 bilhões. Em dez meses do ano passado, o saldo negativo foi de US$ 16,318 bilhões. Em 2017, o saldo comercial teve destaque nas trocas com estrangeiros.

Entre janeiro e outubro, a balança teve superávit de US$ 56,135 bilhões, bem acima do valor visto em igual período do ano passado (US$ 36,318 bilhões). Já a conta de serviços (-US$ 27,039 bilhões) e a renda primária (-US$ 34,076 bilhões) ficaram no vermelho até outubro.

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