O investigador Miguel Carvalho, da Universidade da Madeira, defendeu hoje que o banco de sementes Germoplasma Isopléxis será determinante na reflorestação da ilha.
"O banco terá um papel importante na assistência científica no processo de reflorestação", afirmou o investigador.
O responsável explicou que a universidade também já estava envolvida neste processo, em resultado das cheias e em consequência de um protocolo entre a Câmara do Funchal e a Universidade da Madeira para dar assistência na reflorestação.
Miguel Carvalho alertou que o trabalho que estava a ser desenvolvido no terreno "perdeu-se todo, quando surgiram os primeiros fogos, muito embora tenhamos constituído, entretanto, um 'stock' de sementes que agora foram destruídas pelos incêndios".
A principal finalidade, neste momento, é "ceder material de espécies nativas que estão presentes no parque ecológico para acelerar os processos de reflorestação e regeneração do coberto vegetal", adiantou.
O papel do germobanco é fazer "um levantamento das espécies adequadas, por exemplo, às condições do Parque Ecológico do Funchal" -- que ardeu quase na totalidade a 13 de Agosto -, sendo que estava programado pela instituição, iniciar o processo em setembro ou outubro em zonas piloto que "agora terão sofrido alguns ajustamentos", afirmou.
"O que pretendíamos era um estudo da sucessão de plantas que devem ser introduzidas de maneira a que se melhore a retenção de água no solo e se impeça os efeitos relacionados com a erosão", especificando que "este é processo que demora anos".
Das espécies a serem germinadas em laboratório, para depois serem plantadas nas serras, contam-se "o loureiro, o til e as urzes", porque existe a necessidade de saber, primeiro, quais as variedades que se adaptam ao "terreno que pode ir dos quatrocentos metros de altura, até aos mil e setecentos", referiu.
Os bancos de sementes, que fazem parte da rede do Germobanco da Macaronésia, reúnem espécies nativas de cada uma das regiões dos Açores, Madeira e Canárias.
Fonte: Dnoticias