De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature no mês de setembro, as florestas primárias, ou seja, aquelas que não foram modificadas pelos homens são praticamente insuperáveis em biodiversidade. A pesquisa analisou 2.200 comparações entre florestas primárias e secundárias feitas anteriormente em 28 países da América, Ásia, África e Oceania. Essa avaliação, possivelmente é a mais ampla sobre o assunto, conforme explica o pesquisador brasileiro da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e um dos autores do estudo, Carlos Peres.
Segundo Peres, regiões degradadas podem se recuperar sozinhas, mas reflorestar usando espécies nativas ou de outros ambientes é um trabalho lento, que pode durar séculos. “Áreas de mata atlântica secundárias com cerca de 400 anos no Paraná ainda não têm o perfil de espécies de plantas de regiões primárias”, alerta o pesquisador. A região do Petén, no norte da Guatemala, sofre do mesmo problema. “Quando os espanhóis chegaram, o local era tomado por milharais do Império Maia. Hoje, mais de 500 anos depois, uma mata vigorosa tomou o lugar, mas em termos de biodiversidade não chega nem perto do que poderia ser uma floresta primária da América Central”, afirma.
Peres também relata que as atividades humanas interferem de modo diferente em regiões distintas. De acordo com o trabalho, as florestas tropicais da Ásia são mais sensíveis às transformações impostas pelo homem do que as matas das Américas. Os diferentes grupos de animais, igualmente, respondem de forma distinta: os mamíferos, de modo geral, são mais resistentes às mudanças, ao passo que as aves são mais sensíveis.
Foram analisados 12 tipos de interferências humanas que afetam de modo diferente os ambientes. A prática mais agressiva é o uso do fogo, muitas vezes para abrir espaço para a agricultura, enquanto a que oferece menos risco para a biodiversidade é o corte seletivo. A retirada de apenas 3% das árvores de uma floresta já afeta a variedade de espécies do local. A monocultura de árvores de crescimento rápido, como o eucalipto, outra perturbação causada pelo ser humano ao ambiente, também é um problema para a biodiversidade, principalmente em locais como a Ásia e o Brasil.
O vídeo abaixo mostra a importância da biodiversidade, bem como as leis que definem a regulam as Áreas de Preservação Permanente e as Unidades de Conservação no Brasil.
Fonte: Cientec