O Brasil é líder mundial no mercado de celulose branqueada de eucalipto, tendo produzido, em 2010, cerca de 14 milhões de toneladas e exportado aproximadamente 8,3 milhões de toneladas. Já no mercado de papel, as vendas concentram-se no mercado interno, situando-se em torno de 10 milhões de toneladas ao ano, enquanto as exportações somam 2 milhões de toneladas anuais. Celso Foelkel, um dos maiores especialistas e estudiosos das florestas, com 40 anos de experiência nas mais diversas áreas do setor, tanto no Brasil como internacionalmente, faz em entrevista, análise do mercado atual do mercado de C&P e fala de suas perspectivas. Confira!
CeluloseOnline - Qual análise atual que o senhor faz do mercado de celulose e papel?
Celso Foelkel - O mercado de C&P funciona em função da economia. Se a economia vai bem o mercado melhora, se ela vai mal o setor sofre com a falta de consumo. O mercado tem sofrido com estas estabilidades da Europa, EUA e do Hemisfério Norte. Mas a China - que é o principal comprador de celulose do Brasil - tem mantido uma vitalidade que não tem trazido transtornos.
Mas eu vejo que estas instabilidades sempre aconteceram no setor e temos algumas novidades que trazem turbulências. E elas às vezes são até interessantes para os mais competitivos, como é o caso do Brasil, porque quem sofre mais são os menos competitivos. Isso significa que uma estabilidade como essa, proporciona até um aumento de nossa participação no mercado, porque algumas companhias menos saudáveis acabam fechando as portas. Isso tem acontecido muito nas fábricas americanas, canadenses e na Europa também. O que está acontecendo hoje é um processo muito natural. Apesar disso, o mercado continua crescente.
CeluloseOnline - O ex-ministro Maílson da Nóbrega disse - durante abertura da ABTCP 2011- que a China deve manter seu crescimento nos próximos dois anos, mas que em 2013 ele deve cair para 5%. O senhor concorda?
Celso Foelkel - A China consegue desmentir as teorias econômicas. Eu não sou um grande economista como o Maílson da Nóbrega, mas não há como você manter um crescimento como esse de 10% ao ano sem se ter falta de alguma coisa em determinado momento. Pode faltar energia, água, faltar terras para plantar. Porque 10% ao ano é um ritmo enorme. Eu acho que este pessoal que faz previsões de médio prazo e sempre acabam errando, porque estas análises não contemplam fatos novos, como agora com a crise da Grécia, dos bancos. Eu tenho absoluta certeza de que a China não tem capacidade de continuar crescendo neste ritmo por muito tempo. Mas ela também tem a capacidade de se recuperar. Quando isso vai acontecer eu não sei.
CeluloseOnline - Outro assunto que tem sido debatido no setor são os efeitos das biorrefinarias. Como o senhor vê esse fenômemo?
Celso Foelkel - O setor tem sempre novas oportunidades, que estão surgindo principalmente no Hemisfério Norte. Como eles têm a madeira muito cara e fabricar celulose com esta madeira sai caro, estão buscando outras alternativas para as fábricas ganharem dinheiro. Aqui no Brasil a madeira ainda é barata. Isso faz com que a nossa agregação de valor fabricando celulose seja muito alta. Se não houver uma força motriz para puxar isto aqui no nosso país, vai ser difícil a gente poder implementar as biorrefinarias.
Fonte: Celulose Online