“Engenheiro florestal assumiu papéis importantes nas organizações”, diz Germano Vieira

O engenheiro florestal, que assumiu diretoria florestal da Eldorado Brasil, traça perspectivas, rumos e analisa sua profissão e mercado

sábado, 16 de julho de 2011
Germano Vieira Foto: Celulose Online Germano Vieira

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Nesta semana, o setor florestal comemorou o dia do Engenheiro Florestal, celebrado na última terça-feira (12/7). A data foi marcada por eventos de associações e entidades que representam a profissão, que está cada vez mais reconhecida como uma carreira em alta e com mercado aberto, sinalizando novas alternativas de atuação.

No cenário brasileiro, há engenheiros florestais em novos postos e papéis nas empresas e instituições. É o caso do engenheiro florestal Germano Vieira que acaba de assumir o cargo de diretor florestal da Eldorado Brasil. Vieira é engenheiro florestal graduado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), possui pós -graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e MBA pela FGV.

O executivo possui mais de 30 anos de experiência em projetos florestais de grande porte. Germano Vieira atuou na área de energia da Arcelor Mittal, no segmento de celulose e papel junto à Cenibra e nos últimos anos desempenhou o cargo de diretor florestal na Masisa, empresa que produz painéis de madeira.

O executivo atuou também em várias entidades de pesquisa florestal no Brasil, com cargos de liderança, como presidente e vice-presidente da SIF (sociedade de Investigação Florestal) ligada à UFV (Universidade Federal de Viçosa), Ipef ( Instituto de Pesquisa Florestal – braço da Esalq/USP) e Abraf (Associação Brasileira de Empresas Florestais) e Na SBS (Sociedade Brasileira de Silvicultura). Ele também ocupou os cargos de presidente da AMS (Associação Mineira de Silvicultura) e vice-presidente da Ageflor (Associação Gaúcha de Empresas Florestais).

Diante de sua vasta experiência, Germano Vieira relatou ao CeluloseOnline sua visão sobre a profissão da Engenharia Florestal e ainda falou de planos para seu novo desafio junto à Eldorado Brasil.

CeluloseOnline - Na sua opinião, quais os pré-requisitos que o engenheiro florestal precisa ter diante do novo cenário do mercado de trabalho?


Germano Vieira - O mercado de trabalho para a Engenharia Florestal tem atuações em vários segmentos, mas vamos destacar três deles que são bem fortes. Um é o da celulose, que é o maior segmento - 60% da ocupação do engenheiro florestal está na linha da celulose. Este é o setor que mais contrata. Temos depois o setor de energia - e aí se posiciona o carvão vegetal, que é o principal fator energético siderúrgico. O terceiro é o mercado de painéis e de madeira constituída (painéis com MDF e serraria). Estes são os três grandes segmentos onde o engenheiro trabalha. Como a celulose congrega 60% do mercado - quase todo exportador, há um conhecimento internacional por parte deste profissional, que passa a reconhecer como estão as florestas no mercado internacional, bem como funciona este setor no mundo todo. Isso é muito importante para o engenheiro florestal na atualidade.

CeluloseOnline - O engenheiro florestal tem assumido cargos de liderança e vários estão no comando das principais empresas do setor. Que efeitos a profissão tem vivenciado para essa mudança de posicionamento?

Germano Vieira - A engenharia de modo geral, não só a florestal, como todas as engenharias acabam ocupando cargos de gestão nas grandes organizações. E a engenharia florestal não é diferente. Ela começa com o conhecimento florestal e depois começa a se especializar em gestão, porque é uma gestão mais complexa do que em outros segmentos, pois se envolve com um capital humano muito grande, com equipamentos - uma tecnologia de ponta que existe hoje no mercado e também há o lado biológico muito forte. Então, foi criado um viés financeiro e também gerencial. E daí os engenheiros acabaram assumindo papéis importantes nas organizações.

CeluloseOnline - Com o crescimento dos setores florestal e de celulose e papel há hoje mais oportunidades para o engenheiro florestal no mercado. O que qualifica mais este profissional para alavancar sua carreira?

Germano Vieira – Hoje são mais de 50 universidades que formam o engenheiro florestal no País e cerca de 1000 profissionais são colocados no mercado todo ano. Mas nem todos saem da universidade preparados para assumir uma organização, nem que seja no trabalho técnico, gerencial e na produção. Muitos alunos entram na faculdade e se esquecem de se preparar. O aluno deve fazer estágios e ações para que, quando chegue na hora dele, de enfrentar o mercado de trabalho, ele esteja bem mais preparado.

CeluloseOnline - Na sua avaliação, as universidades do País estão acompanhando essa mudança da profissão? O engenheiro florestal sai da universidade preparado para este mercado?

Germano Vieira – Eu não digo que estão, mas as universidades estão melhorando. No ano passado nós tivemos uma experiência junto com a Esalq (USP), que forma engenheiros florestais em Piracicaba - junto com o Ipef (Instituto de Pesquisa Florestal) - fizemos um trabalho e preparamos um MBA Florestal para alunos de Engenharia Florestal formados em 2010. Dos mil alunos que todas as universidades formam, selecionamos 20 para cursarem este MBA. Foi aí que percebemos que existe um GAP muito grande entre o desejo da empresa e a formação que o aluno traz da universidade. Este trabalho feito pela Esalq acabou gerando uma série de informações que estão sendo divulgadas às universidades. Com isso, elas têm a oportunidade de preparar os alunos mais adequadamente para o mercado de trabalho.

CeluloseOnline - Quais suas perspectivas como diretor florestal de um dos principais grupos de celulose do País?

Germano Vieira – Bom, eu tenho mais de 30 anos de experiência florestal. Vinte anos no setor de energia florestal, 10 anos no setor de celulose e quatro anos no setor de painéis. Agora estou voltando para o setor de celulose, em um Estado que é o Mato Grosso do Sul, que cresceu de 2009/2010, em 27% de sua área plantada. O MS é um Estado bastante receptivo, tem vocação natural para a plantação florestal, o que atrai grandes projetos, como é o caso da Eldorado -um projeto de grande magnitude, que está sendo feito com muito carinho e muita tecnologia. Hoje, nós já temos 60 mil hectares plantados e temos ainda a necessidade de aumentar bastante esta área.

CeluloseOnline - O que este cargo representa para sua carreira profissional?

Germano Vieira - Este novo desafio na minha carreira tem uma característica toda especial, pois estamos diante de uma meta de plantio de eucaliptos de 30 mil hectares ao ano - realmente é desafiador. Estou muito feliz de assumir este papel e estar à frente de um projeto desta dimensão.

Por Valter Jossi Wagner

Fonte: Celulose Online

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