10/01/2013

Mercado de papelão ondulado entrará em 2013 com cara nova

Movimentos de consolidação entre as empresas devem provocar mudanças no setor

Painel Florestal/Brasil Econômico
 

Não são poucos os setores que vivem momentos de consolidação no Brasil. Mercados muito divididos entre empresas de pequeno ou médio portes são cada vez mais raros e este fenômeno começa a se refletir em um segmento sempre apontado como o melhor termômetro da economia nacional: o de papelão ondulado - matéria prima para a fabricação de boa parte das caixas de bens duráveis e não duráveis vendidos no varejo brasileiro.

"Com a consolidação vivida pelos clientes, acaba sendo natural que haja movimento parecido entre os fornecedores. É a melhor forma de atender às demandas dessas grandes empresas que se formam", afirma Ricardo Trombini, presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO).

Nos últimos meses de 2012, foram anunciados dois negócios que farão com que o setor ganhe feições diferentes ao longo de 2013: a joint-venture firmada entre a International Paper (IP) e a Jari, do Grupo Orsa, e a compra da São Roberto pelo Grupo Habitasul, dono da Celulose Irani. "Foram dois grandes movimentos de consolidação", diz Trombini.

Um desses movimentos já era aguardado há muito tempo pelo mercado: a entrada da americana IP, dona marca Chamex, no setor de papelão ondulado. Depois de anunciar por diversas vezes que buscava opções para chegar ao mercado brasileiro, a IP comunicou, no final de outubro, a criação de uma joint-venture com a Jari, do Grupo Orsa, um dos maiores competidores do mercado nacional.

Na época do anúncio, o presidente global da IP, John Faraci, afirmou que o negócio era um reforço da estratégia de expandir os negócios em "regiões estratégicas do mundo". O investimento total da americana, que ficará com 75% das ações da nova empresa, será de US$ 470 milhões.



Com a joint-venture com a Jari, a IP, que é líder no mercado global de papelão ondulado, deve chegar ao mesmo posto no mercado nacional em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ela é responsável por 37% das vendas do material. A São Roberto Papelão, uma empresa de médio porte, foi comprada no início de novembro pelo grupo Habitasul, controlador da Irani, uma das maiores empresas do setor de papelão ondulado no Brasil.

Apesar de as empresas reforçarem que a aquisição não foi realizada pela Irani, mas por sua controladora, o comunicado enviado ao mercado na época da compra afirmava que o grupo "irá avaliar e discutir com a Irani as sinergias e o modelo para uma atuação conjunta entre os negócios da São Roberto e da Irani".

Procuradas, as empresas envolvidas nas negociações não comentaram as perspectivas do mercado, afirmando que aguardam a finalização dos processos de integração das operações. Ao falar sobre a consolidação do setor como um todo, o presidente da Celulose Irani, Pericles Pereira Druck, afirmou acreditar que os movimentos recentes sejam questões pontuais.

"A consolidação parece um movimento natural e saudável para o setor, mas não vejo mudanças tão grandes nos próximos anos."

Maiores e melhores

De qualquer forma, apenas a chegada de um grande grupo, como a IP, ou a aquisição de uma empresa de médio porte, como a São Roberto, por outra bem maior, são sinais de que as características do setor de papelão ondulado devem ser bastante alteradas no médio prazo.

Hoje, o mercado é dividido entre muitos competidores, a maioria deles de pequeno ou médio porte. "O líder, que é a Klabin, detém apenas 15% do mercado", diz Trombini, da ABPO.

Segundo ele, por mais que as companhias médias sejam eficientes, a união dessas empresas ou incorporação por competidores estrangeiros é benéfica para o mercado. "Só assim é possível manter a competitividade."

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