17/05/2016 18h39

Setor florestal brasileiro está de luto: morre Paulo Yoshio Kageyama

Seu corpo será velado nesta quarta-feira, 18 de maio de 2016, das 8h às 15h, na sala A do cemitério Parque da Ressurreição, em Piracicaba (SP)

Por: Painel Florestal - Ipef - SOS Mata Atlântica
 
Paulo Kageyama em palestra Paulo Kageyama em palestra

O setor florestal está de luto. O professor Paulo Yoshio Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP, faleceu hoje. Seu corpo será velado nesta quarta-feira, 18 de maio de 2016, das 8h às 15h, na sala A do cemitério Parque da Ressurreição, em Piracicaba (SP).

De acordo com informações do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), Kageyama nasceu em 3 de dezembro de 1945, em Santo Anastácio (SP). O docente era graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo (1969) e ingressou para lecionar na ESALQ em 1977. Era mestre pela Universidade de São Paulo (1977), doutor em Agronomia (Genética e Melhoramento de Plantas) pela Universidade de São Paulo (1980) e Pós Doutor pela North Carolina State University (1991).

Paulo Yoshio Kageyama foi Diretor de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente do Governo Federal (2003-2007). Era professor titular da Universidade de São Paulo; representante titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio. Também figurava, desde 1988, como membro do grupo de Experts da FAO/Roma - para Conservação Genética. Tinha experiência na área de Genética e Conservação, com ênfase em Genética de Espécies Arbóreas, atuando principalmente com Conservação de Ecossistemas Tropicais, Restauração de Áreas Degradadas, Sementes Florestais, Variabilidade e Estrutura Genética, assim como Agrobiodiversidade e Agricultura Familiar.

Paulo Kageyama com seus livros, estudos e pesquisas Paulo Kageyama com seus livros, estudos e pesquisas

No Ipef, atuou durante os primeiros anos de funcionamento na área de Recursos Genéticos e, atualmente, era um dos responsáveis por projetos de Agricultura Familiar e Agrobiodiversidade junto ao Instituto.

Kageyama era neto de imigrantes japoneses, que vieram para o Brasil e se instalaram, como agricultores, na região do Pontal do Paranapanema, onde ele nasceu e também atuou com agricultura familiar. Como estudioso e defensor da agricultura agroecológica, Kageyama alertava sobre os impactos do uso intensivo de agrotóxicos na produção de alimentos.

Durante quatro anos ele foi membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e foi um dos críticos da liberação dos transgênicos no Brasil, em especial do eucalipto transgênico, destacando os seus impactos potenciais para as questões hídricas e de biossegurança.

Foi durante o seu doutorado que o professor Paulo se apaixonou pelo tema da conservação das florestas tropicais, e passou a utilizar seu conhecimento na área de melhoramento genético para auxiliar na conservação da Mata Atlântica. Desde os primeiros workshops promovidos pela Fundação SOS Mata Atlântica para discutir os desafios de conservação desse bioma, o professor Paulo esteve presente e marcou a história e a trajetória da Fundação com o seu legado intelectual e seu conhecimento sobre a floresta.

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