17/10/2017 18h09

O papel das florestas plantadas na redução dos impactos dos gases de efeito estufa

O artigo de Fabrício Sebok, coordenador de desenvolvimento de produtos florestais da Bayer para a América Latina, mostra que nos últimos anos, o desenvolvimento de novas moléculas trouxe mais eficiência para o manejo

Por: Fabrício Sebok*
 
 Fabrício Sebok é coordenador de desenvolvimento de produtos florestais da Bayer para a América Latina Fabrício Sebok é coordenador de desenvolvimento de produtos florestais da Bayer para a América Latina

As florestas plantadas no Brasil remontam ao início do século XX - talvez antes já o fizessem - porém, a prática se intensificou após o engenheiro Edmundo Navarro de Andrade ser contratado pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro para desenvolver o projeto de criação de Hortos Florestais, ao longo das ferrovias das cidades, no início do século passado. Navarro ficou conhecido como "o plantador de florestas" e o seu projeto tinha o objetivo de produzir madeira para os dormentes das estradas de ferro. Por meio desse trabalho, diversas espécies de eucalipto foram trazidas para o Brasil e, posteriormente, na década de 1940, variedades de pinheiro também foram introduzidas como florestas plantadas. Hoje em dia, contamos com outras classes sendo utilizadas para diversos fins, como a acácia, teca, seringueira, paricá, araucária, álamo e mogno.

As práticas de reflorestamento se intensificaram nos anos 60 e 70, devido aos incentivos governamentais para o desenvolvimento industrial. Neste período, o grande interesse dos produtores de florestas era suprir o mercado interno como as fornalhas de siderúrgicas, a produção de carvão e as indústrias de chapas, celulose e papel. Porém, ao longo dos anos, perceberam-se os benefícios que estas plantações poderiam trazer para a sociedade e o meio-ambiente.

Mesmo que muitas pessoas ainda recriminem, as práticas de reflorestamento, para fins comerciais, contribuem para a redução da necessidade de exploração de florestas nativas, protegem os solos e mananciais, uma vez que possuem um ciclo de desenvolvimento mais longo quando comparados com a maioria das culturas agrícolas, e propiciam corredores ecológicos permitindo manutenção do fluxo gênico da fauna. Com o passar do tempo, as florestas replantadas também geraram mudanças na matriz energética das siderurgias, que passaram a utilizar o carvão vegetal como alternativa sustentável ao carvão mineral.

Fruto das atividades industriais, o dióxido de carbono (CO2) é um dos principais vilões ambientais, ele danifica a camada de ozônio e é responsável pelo famoso efeito estufa, que acelera o processo de aquecimento global. Apesar disso, o CO2 também é fundamental para o equilíbrio do ecossistema. Absorvidas pelas plantas, as moléculas são metabolizadas pelo processo de fotossíntese para gerar alimento e desenvolver organismos vegetais saudáveis. Quando ainda são jovens, o processo de sequestro de carbono das árvores é bem mais intenso do que quando as florestas são maduras, apesar disso, florestas adultas continuam estocando carbono, em biomassa, por meio das moléculas de gás carbônico.

Ao serem colhidas e extraídas de onde se desenvolveram, as florestas entram na cadeia de produção industrial e as moléculas de carbono entram em um novo ciclo, o dos resíduos. No campo, uma parte se incorpora ao solo, outra se degrada e volta para a atmosfera, enquanto o restante fica retido na composição molecular dos produtos gerados pelo processamento da madeira, e que só voltarão à atmosfera após processo de decomposição. Ou seja, entre o plantio e o processo de transformação industrial, podemos afirmar que as práticas de reflorestamento mais absorvem do que emitem gases de efeito estufa, fechando dessa forma, com um saldo positivo para o meio ambiente.

Isto explica o importante papel das florestas plantadas na substituição de matérias-primas minerais, já que estas possuem o ciclo do carbono muito longo, não sequestram carbono, e, portanto, causam grande acúmulo destes gases nocivos na atmosfera. O excesso de gases estufa gera o aquecimento global, e vem ocorrendo de forma acelerada com impactos negativos para todos os ecossistemas. Para frear este processo, foi assinado o Protocolo de Quioto (1997), um compromisso das grandes nações do mundo para seguir regras rígidas de produção industrial, em prol da redução de CO2, diminuir o efeito estufa e desacelerar o processo de aquecimento global, além de proteger as florestas.

No ano de 2016, o Brasil possuía 7,84 milhões de hectares de floresta plantadas, dentre elas o eucalipto representava 5,67 milhões ha, o que faz desta cultura uma importante fonte para manutenção dos mercados madeireiros e a busca por recursos sustentáveis. Contudo, dentro do processo de formação destas florestas, também ocorre emissão de gases estufas, em diversos momentos, como no uso de máquinas para o cultivo do solo e manutenção das florestas, bem como no corte e transporte da madeira produzida para as áreas de beneficiamento. Também não podemos nos esquecer das formas indiretas de poluição, por exemplo, na produção dos insumos e no uso de produtos inadequados e pouco eficientes na manutenção da sanidade florestal, que faz necessária à repetição de aplicações para garantir a qualidade dos plantios.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de novas moléculas trouxe mais eficiência para o manejo. O aprimoramento no controle das plantas daninhas, por exemplo, propiciou a redução no número de aplicações de herbicidas e, consequentemente, a diminuição no uso de combustíveis fósseis para o maquinário e emissão de gases estufas. Eduardo Henrique Rezende defendeu, no ano de 2014, em sua tese de doutorado, sobre "Aplicação de herbicidas na implantação de áreas de Eucalyptus urophylla, antes e depois do plantio", que a molécula isoxaflutole, dentre as demais moléculas herbicidas estudadas, é a única que, além de controlar a mato competição presente na linha de plantio, não afeta as plantas de E. urophylla (eucalipto), tornando sua aplicação um aliado tanto para o produtor como o meio ambiente. Outra molécula herbicida com grande potencial sustentável é o indaziflam, que reduz de forma comprovada, pelo menos uma aplicação de herbicida pós-emergente, nas entrelinhas de plantio.

Sabendo do importante papel que as florestas possuem no controle dos gases de efeito estufa é imprescindível que se busque cada vez mais incentivos para uma produção florestal sustentável, ou seja, com ferramentas eficientes que auxiliem a produtividade florestal, sequestro de carbono e com cada vez menos recursos.

  • Fabricio Sebok é coordenador de desenvolvimento de produtos florestais da Bayer para a América Latina. Formado em Engenharia Florestal pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ/USP), com MBA em Fitossanidade, pelo Instituto Agrônomico de Campinas, o executivo integra a equipe de Environmental Science da Bayer desde 2014.

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