11/12/2016 23h22

Brasil tem R$ 65 bilhões em florestas plantadas com eucalipto e pinus

Cerca de 53% deste montante corresponde a florestas localizadas na Região Sul do País, mesmo esta respondendo por apenas 26% da área plantada

Por: Eugênio Pitzahn Jr
 
 
Eugênio Pitzahn Jr é gerente de projetos da Consufor Eugênio Pitzahn Jr é gerente de projetos da Consufor

A área plantada no Brasil já virou clichê nos artigos, apresentações e teses sobre o setor florestal. Cerca de 9 milhões de hectares, sendo a maior parte destes ocupados com Eucalyptus para fins energéticos. Contudo este número não expressa, para além do corpo técnico que administra este patrimônio, a grandeza do setor.

De acordo com estudo realizado pela Consufor no segundo trimestre desde ano, o Brasil atualmente conta um ativo florestal, considerando apenas os gêneros Pinus e Eucalyptus, da ordem de R$65 Bilhões. Deste montante 53% correspondem a florestas cultivadas na Região Sul do País e 26% na Região Sudeste, apesar da ordem inversa na área plantada (41% na Região Sudeste e 25% na Região Sul)

 
Figura 01 Figura 01

O principal fator explicativo desta concentração de valor dos ativos é o Gênero cultivado. Na região sul predomina o cultivo de Pinus, enquanto nas demais regiões o Eucalyptus é predominante, quando não representa a totalidade da área plantada. Sendo o Eucalyptus destinado, quase que exclusivamente, a produção de celulose, carvão vegetal e biomassa os regimes de manejo adotados para sua produção contemplam ciclo curto e focado no volume total, desconsiderando classes decamétricas de toras.

Por outro lado, o Pinus mesmo quando cultivado para abastecimento de plantas de celulose onde o consumo é de toras de menor diâmetro, é manejado em ciclos mais longos, geralmente entre 15 e 25 anos, e deste modo produz toras de maior diâmetro que são adquiridas pelos segmentos de serrado e laminados por preços muito superiores aos praticados pelos toretes destinados a energia e processo (celulose, MDF, OSB, outros).

Esta produção adiciona um valor significativamente maior às florestas de Pinus, mesmo que demande mais tempo para atingir seu ponto de colheita, de modo que representando apenas 23% do total de área total plantada, corresponde a cerca de 43% do valor total doa ativos biológicos (mais de 28 Bilhões).

 
Figura 02

Segundo os dados levantados pela Consufor, as 20 empresas com ativos mais valiosos somavam ao final de 2015 aproximadamente 21 bilhões, ou seja, respondem por 32% do total investido em ativos biológicos dos Gêneros Pinus e Eucalyptus no Brasil. Contudo, grande parte do valor dos ativos (Cerca de 16 Bilhões) está concentrada em apenas 5 empresas ( Top 5 - Suzano, Fibria, Klabin, CMPC e Eldorado). Assim, enquanto nos últimos 3 anos o conjunto das 20 maiores empresas teve seus ativos valorizados em cerca de 29%, as Top 5 tiveram seus ativos valorizados por volta de 32% (Figura 3 .

 
Figura 03 Figura 03

Outro aspecto de destaque é a participação dos fundos de investimento na propriedade dos ativos biológicos. Apenas de ainda modesta em relação ao todo (apenas 7%), sendo a maior parte dos investimentos realizados em cultivos de Eucalyptus.

 
Figura 04 Figura 04

A possibilidade de minimização de riscos através da distribuição geográfica dos ativos é dos fatores que são considerados como de grande relevância pelos Fundos e isto justifica a distribuição do aportes pelas diversas regiões do País. Apenas no Gênero Pinus essa possibilidade é limitada, uma vez que a apenas Região Sul e parte das condições Sudeste e Centro Oeste apresentam condições edafoclimáticas apropriadas para seu desenvolvimento (Figura 5).

Figura 05 Figura 05

O setor florestal está acostumado a ser visto através de sua área plantada, porém com a exigência do padrão IFRS, que demanda anualmente uma avaliação a valor justo dos ativos, muitas empresas descobriram em seus ativos biológicos valores antes não imaginados, o que possibilitou muitas delas levantar capital de logo prazo e baixos custos no mercado financeiro, maximizando assim seus resultados.

Não é possível afirmar ainda o quanto o setor vai valorizar seus ativos em 2016, mas considerando os investimentos em marcha e anunciados em expansões das grandes unidades fabris do setor de celulose, especialmente na região Centro Oeste, não é de se descartar que até 2021 o setor florestal acumule ativos biológicos de valor superior a 100 bilhões. Ou seja, um potencial de valorização da ordem de mais de 50% nos próximos 5 anos.

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