20/03/2013

E de novo... a mesma ladainha!

Artigo de Nelson Barboza Leite

 
 
Nelson Barboza Leite Nelson Barboza Leite

De tempos em tempos, assuntos que parecem superados ressurgem de desatualizados arquivos e deixam uma péssima imagem para o setor!

Nos últimos 10 anos, a silvicultura brasileira vem passando por significativas mudanças: a certificação florestal passou a ser uma obrigação indiscutível; a participação crescente do pequeno produtor; as grandes negociações de ativos florestais trazendo nova oxigenação aos processos de gestão; as novas fronteiras vão sendo descobertas; os trabalhos de pesquisas e a geração de conhecimentos continuam avançando; fazer de forma sustentável já é regra às empresas.... e por aí enumeram-se passos importantes da silvicultura brasileira.

Até na comunicação, que sempre fez parte dos programas estratégicos do setor, mas que nunca saiu do papel, tivemos avanços expressivos. Quem duvidar é só dar uma olhada no Painel Florestal, nos informativos da SBS, do Celso FoelKel, do IPEF, do SIF, dentre muitos, e verá que o aumento de informações foi marcante! Mas com tudo isso, vez ou outra, surge uma pérola no noticiário nacional! Em seguida, um exemplo típico das velhas e surradas ladainhas.

Rede SBS Dia a Dia: Edição Especial

Canal Futura reprisa matéria negativa sobre o eucalipto na noite de 13/03/2013

Matéria apresentada há mais de dez anos voltou ao ar na última quarta-feira, 13/03/2013. Os argumentos apresentados pelo então presidente da SBS, Engo Agro Silvicultor Nelson Barboza Leite em carta dirigida a Estevão Ciavatto, responsável pelo programa, continuam totalmente válidos. Essa a razão de sua reapresentação nesta edição especial do informativo SBS Dia a Dia:

“Senhor Diretor do Programa ‘Um Pé de Quê?’

Permita-nos registrar nossa preocupação com a matéria, apresentada no último programa de Regina Casé ‘Um Pé de Quê?’ do dia 05/01/2003 que trata do eucalipto. Estamos tomando essa liberdade tendo em vista a importância educativa e cultural do programa para toda a sociedade brasileira.

Reconhecemos a complexidade da matéria e não nos causa surpresa a polêmica existente sobre o eucalipto. A nossa colega da Embrapa - PR, a Dra. Rosana Higa, com muita competência apresentou inúmeras argumentações científicas, mas, não foram suficientemente satisfatórias, diante das colocações tão categóricas e carregadas de emoções apresentadas pelos demais participantes do programa. Tivemos a impressão de que ficou para o telespectador uma mensagem, no mínimo, de muita dúvida. E, com certeza, para aqueles que são produtores rurais, além da dúvida, deve ter ficado também muitas preocupações e medo!

Tomamos o cuidado de verificar, junto a inúmeros profissionais ligados a SBS que assistiram ao programa, e pudemos constatar que, aparentemente, prevaleceu a mensagem de dúvida e medo.

Neste sentido, Senhor Diretor, face à provável repercussão negativa da matéria junto à sociedade, e como entidade representativa da silvicultura brasileira e para a qual a eucaliptocultura tem expressiva importância, sentimo-nos na obrigação de fazer as seguintes considerações:

1 - A cadeia produtiva sustentada pela cultura de eucalipto representa cerca de 2% do PIB nacional, emprega direta e indiretamente mais de um milhão de brasileiros e recolhe anualmente cerca de U$ 1,3 bilhão em impostos. São produzidos centenas de produtos industriais tendo o eucalipto como matéria-prima básica.

2 - É a espécie florestal mais estudada no Brasil. Temos mais de 10.000 trabalhos experimentais desenvolvidos por universidades, instituições de pesquisa e empresas florestais. É esse banco de informações científicas, de valor inestimável, que garantiu ao Brasil a liderança nos índices de produtividade quantitativa e qualitativa alcançados pelo eucalipto e pelo alto nível de competitividade das indústrias brasileiras no mercado internacional. É, também, esse patrimônio de conhecimento da ciência florestal brasileira, que nos permite com convicção assegurar a V.Sa. que o plantio de eucalipto, feito com embasamento técnico-científico, não apresenta nenhum risco e oferece inúmeros benefícios sociais, econômicos e ambientais à sociedade.

3 - As estatísticas mostram que mais de 100 mil proprietários rurais cultivam o eucalipto, empregam seus familiares nos serviços de plantio, manutenção, colheita e comercialização da produção e vivem quase que exclusivamente da renda auferida desses trabalhos.

4 - O Brasil possui o mais completo Banco Genético do gênero além da Austrália, que é o país de origem de mais de 600 diferentes espécies de eucalipto. Existem recomendações técnicas de espécies para as mais diversas condições e aos mais variados fins: produção de mel, proteção de áreas degradadas, regiões com geadas, semiáridas e tropicais, para produção de celulose, madeira de serraria, energia, carvão vegetal, óleos essenciais dentre outras.

5 - Devemos lembrar também que o eucalipto, por sua extraordinária eficiência fotossintética e pelo expressivo desenvolvimento alcançado em nosso país, sequestra quantidade significativa de carbono. Esse serviço do eucalipto poderá conferir ao Brasil posição privilegiada em nível internacional para beneficiar-se dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, do Protocolo de Kyoto. Seria um reconhecimento mundial pela contribuição que o eucalipto estará dando em benefício da qualidade ambiental do planeta.

6 - Cabe-nos, no entanto, reconhecer que muitas das argumentações contrárias ao plantio de eucalipto são justificáveis, mas perfeitamente explicáveis. Há falta de informações e muita desinformação em nível da sociedade, e é bastante comum encontrar-se plantios sendo realizados sem nenhuma base técnica e em total desrespeito aos valores ambientais. Sabemos, também, que absurdos dessa natureza não são privilégio exclusivo dos plantios de eucalipto. Mas nada justifica que problemas pontuais e falta ou irresponsabilidade técnica possam comprometer qualquer atividade em toda a sua abrangência.

7 - Senhor Diretor, temos ao nosso alcance uma série de argumentações científicas e poderemos apontar inúmeros problemas não discutidos, mas não pretendemos fomentar essa polêmica. Temos, isto sim, uma grande preocupação na divulgação de informações técnicas corretas para que o eucalipto seja plantado com sucesso e sem nenhum risco. Tudo isso, dentro das possibilidades da Sociedade Brasileira de Silvicultura - SBS fica à disposição de V. Sa. Conte conosco! Parabéns pelo programa, pelo brilhantismo e simpatia da apresentadora Regina Casé e esperamos com esse registro ter criado uma relação construtiva, para gerarmos oportunamente novas matérias de interesse da silvicultura brasileira.

Atenciosamente. Nelson Barboza Leite Presidente da SBS São Paulo, 06/01/2003

De novo... a mesma ladainha! Mas é um sinal importante para mostrar o valor estratégico de nossos informativos e de nossos canais de comunicação!!!!

Nelson Barboza Leite - nbleite@uol.com.br

(4) Comentários

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Parabens, mais uma vez, pela constante batalha em prol da Silvicultura.


Edson Pinheiro

 
Edson Pinheiro em 01 de abril de 2013 às 22:23

É como sempre digo, os nossos apresentadores de TV, ainda vivem do passado onde bastava ter um relacionamento e uma simpatia. Hoje conta-se nos dedos e não chega à cinco um apresentador com um pouco de conhecimento e fundamento técnico. A Dona Regina Casé é um desses casos deve ser semi analfabeta, vive num mundo retrógrado, onde fala de temas que não lhes dizem respeito. Escola neles.

 
José Hess em 27 de março de 2013 às 11:41

Obrigado, por tanta seriedade

 
Maximiliano roncoletta em 23 de março de 2013 às 19:23

Parabéns e obrigado caro amigo Nelson pela sua constante vigilância e atuação efetiva e voluntária em favor da silvicultura brasileira.

 
Celso Foelkel em 21 de março de 2013 às 07:47

 
 

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