10/03/2017

Carvão vegetal – A perspectiva

O novo cenário brasileiro para o carvão vegetal está indo de encontro as antigas perspectivas primitivas, antes "inerentes" ao processo, hoje "alheio" ao sistema.

Por: Márcia Silva
 

O novo cenário brasileiro para o carvão vegetal está indo de encontro as antigas perspectivas primitivas, antes "inerentes" ao processo, hoje "alheio" ao sistema.

Atualmente a realidade de algumas plantas de carbonização já seguem o oposto àquele ambiente poluidor, cuja mão de obra empregada era pouco qualificada, em que havia controle subjetivo de processo, resultando em uma subutilização energética e baixos rendimentos. Hoje já é possível encontrar fornalhas para queima dos gases, secadores, fornos automatizados e até mesmo demanda por mão de obra especializada.

Esse é o início de uma nova etapa do setor florestal, que é destaque mundial por apresentar 7,8 milhões em hectares de floresta plantada e responsável por 91% de toda madeira produzida para fins industriais no país. Deste total 14% são destinadas às siderurgias na produção de carvão vegetal (Ibá, 2016).

O carvão vegetal é considerado um dos mais importantes insumos da indústria siderúrgica nacional, o que tem contribuído para esta área ser um potencial polo de investimento do setor, no quesito pesquisa e novas tecnologias.

Mas, assim como qualquer sistema, quando sofre/passa por mudanças, há muitos obstáculos que ainda devem ser vencidos. E a nível nacional esses obstáculos podem ser enumerados tanto a nível político, como produtivo, aqui alguns são citados: (i) ineficiência em logística e matriz de transporte, matéria prima que (ii) ocupa grandes volumes – o que resulta em baixa densidade energética, associados a altos custos e (iii) burocracias políticas.

A decomposição térmica da madeira ainda é um processo que demanda estudo, sobretudo em razão da energia subutilizada dos produtos e muitas vezes não incorporada a produção. A baixa eficiência energética, traduzida em números, é estimada em aproximadamente 47% da energia total, que ainda não são completamente aproveitada no sistema. Nesse processo de conversão térmica há mecanismos cinéticos, fenômenos físicos e químicos que estão diretamente relacionados com a eficiência e o rendimento do produto final e que ainda demandam muitos estudos.

Dessa forma, a carbonização da madeira não deve ser mais vista como uma conjuntura de técnicas primitivas, até porque o que se almeja na área é desenvolvimento tecnológico e produtividade – qualidade e produção, que por sua vez não seguem nenhum tradicionalismo.



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