01/04/2014

Biomassa residual do coco babaçu: A nova alternativa bioenergética

Pesquisas estão sendo desenvolvidas visando o melhor aproveitamento tanto da biomassa florestal, como também de resíduos lignocelulósicos

Por: Márcia Silva
 
 

A biomassa florestal, tradicionalmente, é utilizada como fonte de bioenergia de forma direta por meio da combustão completa ou para a produção de carvão vegetal. Entretanto, pesquisas estão sendo desenvolvidas visando o melhor aproveitamento tanto da biomassa florestal, como também de resíduos lignocelulósicos visando o seu potencial energético, pois esses materiais vegetais também apresentam componentes orgânicos que podem ser oxidados e gerar energia de forma sustentável e eficiente.

Nesse contexto, novas alternativas aplicáveis foram criadas e a título de pesquisa inovadora e recente, foi realizado um trabalho sobre o potencial bioenergético da biomassa residual do coco babaçu (casca), cuja espécie é considerada um dos maiores recursos oleíferos no mundo.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Eng. Florestal Thiago de P. Protásio, mestre em Ciência e Tecnologia da Madeira pela Universidade Federal de Lavras, sob a orientação do Prof. Dr. Paulo F. Trugilho (UFLA), da Profa. Dra. Maria Lúcia Bianchi (UFLA) e do Dr. Alfredo Napoli (CIRAD -Montpellier - França), foi constatado que os resíduos do coco babaçu apresentam expressivo potencial bioenergético. A casca do coco apresenta elevada densidade energética, de 24 GJ/m³; sendo que, esse valor é bem superior ao relatado para o bagaço de cana (2 GJ/m³), para a madeira de eucalipto (10 GJ/m³) ou para a casca de café (5 GJ/m³).

Dessa forma, o uso dessa biomassa como fonte direta de energia pode ser altamente viável, principalmente devido suas características físicas, químicas e térmicas, aliadas ao baixo teor de cinzas (1,73%) e também um bom desempenho durante a combustão.

Ainda segundo o Engenheiro, o carvão vegetal da casca do coco babaçu também apresenta aptidão para o uso siderúrgico, pois suas características tecnológicas, como a densidade aparente, densidade energética e estoque de carbono fixo, superam até mesmo o carvão vegetal produzido com a madeira de clones de eucalipto.

Os autores do trabalho acreditam que a casca do coco babaçu, até então, considerada um resíduo passa a ser uma matéria-prima excelente para a produção de carvão vegetal, com características industriais satisfatórias para a produção de ferro-gusa e aço.

Mais informações sobre essa pesquisa já pode ser encontrada em: http://dx.doi.org/10.1186/2193-1801-3-124.



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