Cresce a presença do Brasil no comércio global

por Paulo Schiff

quinta, 19 de janeiro de 2012

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 A fatia brasileira no comércio global cresceu para 1,3% em 2011. O Brasil exportou US$ 250,3 bilhões e importou US$ 223,5 bilhões. No total, as transações brasileiras com outros países somaram US$ 473,8 bilhões. A soma de importações e exportações em 2000 foi de US$ 110 bilhões. Historicamente a marca é expressiva. Em 2000, o market share do Brasil no comércio mundial era só de 0,88%. - Esses números oferecem pelo menos dois ângulos. O primeiro deles é o do potencial de crescimento. Uma referência simples seria a da parcela da população brasileira em relação à planetária: 2,7%. Isso já fornece uma pista importante: é perfeitamente viável mais que dobrar nossa parte. Dos 1,3% de 2011 para 2,7%. Para isso, bastaria atingir não um nível de excelência na produção e na logística mas só um nível médio na comparação com os demais países. Não chega a ser uma meta muito ambiciosa. Mesmo assim dá para imaginar o salto de qualidade: empregos, renda, qualificação profissional que seriam acarretados pelo aumento da nossa mordida nesse bolo de quase US$ 40 trilhões do comércio internacional.

Perseguir essa meta teria de envolver todo o País. Passa pela reforma tributária com alívio sobre a produção, de uma consistência maior do PAC em projetos ferroviários, hidroviários, rodoviários e portuários e até do estabelecimento de política pública de educação, sem as turbulências ante troca de governo ou ministro.

O conjunto desses requisitos transforma o país na mesma medida em que a fatia no comércio global vai sendo fermentada. É um processo bilateral. Ou seja: o desenho atual do País não permite passar de 1,3 para 2,7% do bolo. E com 1,3% não dá para transformar significativamente o desenho atual.

Outro ângulo que merece reflexão é o da pauta de importações e exportações. O Brasil perde espaço nas exportações de alta intensidade tecnológica na década. Tinha 0,52% do comércio mundial em 2000. Caiu para 0,49% em 2009. É verdade que bastam alguns bons contratos da Embraer em um ano para mexer nesse número.

Os produtos de média intensidade tecnológica, como automóveis e equipamentos, compensam essas perdas. Somando produtos de média e alta intensidade, o Brasil caminhou de 0,57% das exportações mundiais em 2000 para 0,6% em 2009.

O tema tem sido alvo de discussões. Alguns analistas entendem que o Brasil vive um perigoso processo de desindustrialização. O valor agregado do produto brasileiro de exportação, basicamente, commodities de minérios e alimentos, está entre os mais baixos do mundo.

Mas o que hoje representa uma fragilidade pode se transformar num ponto fortíssimo em curto prazo. De um lado pela rota mundial em direção à escassez de alimentos. E de outro pela entrada do Brasil no seleto clube dos grandes exportadores de petróleo quando o pré-sal da Bacia de Santos alcançar produção plena. Dá para imaginar a manutenção da evolução do agronegócio brasileiro na balança, associada a um maior fôlego do produto industrial, de maior valor agregado, desde que com incentivos específicos nesse planejamento para atingir 2,7%.

Falta analisar os desequilíbrios regionais. Onde instalar um vale do silício tropical, uma Hollywood... Esse é um capítulo que fica para outra vez.

Fonte: DCI