O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer elevar sua capacidade de financiamento em US$500 bilhões, a fim de fazer frente ao agravamento da crise da dívida na Europa, disseram fontes ontem. O Conselho Diretor do Fundo, que se reuniu na terça-feira, identificou uma necessidade potencial de financiamento de US$1 trilhão nos próximos anos, explicou um porta-voz. Por ainda estar estudando como isso será feito, o FMI não deu detalhes, mas fontes disseram que será pedido um esforço extra aos emergentes.
Um representante do G-20, que pediu para não ser identificado, disse à Bloomberg que o FMI está pressionando Brasil, Rússia, Índia e China — o Bric —, além de Japão e dos países exportadores de petróleo, para fazerem as maiores contribuições. O Fundo espera que um acordo seja fechado na reunião dos ministros de Finanças do G-20, nos dias 25 e 26 de fevereiro, no México, afirmou ele.
Mas, em troca de mais recursos, os emergentes vão pressionar por mais voz e poder dentro do Fundo. O argumento usado, inclusive pelo Brasil, é que a atual divisão de quotas não reflete o peso dos emergentes na economia global.
O Brasil está disposto a ajudar, mas o governo já deixou claro que qualquer aporte terá de estar atrelado a um aumento da participação dos emergentes no FMI. Não há valores definidos sobre essa ajuda.
Após a reunião do conselho, a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, afirmou em nota que o organismo está buscando maneiras de ampliar esses recursos, hoje em US$385 bilhões. “O maior desafio é responder à crise de maneira adequada, e muitos executivos ressaltaram a necessidade de esforços coletivos para conter a crise na zona do euro e proteger a economia global”, afirmou.
A proposta do FMI animou os mercados. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançou 1,78% pelo Ibovespa, seu principal índice, e fechou no maior patamar em seis meses. O dólar comercial recuou 0,73%, a R$1,767, o menor valor desde novembro.
Em Wall Street, o Dow Jones avançou 0,78%, e o Nasdaq, 1,53%. Na Europa, Londres e Frankfurt subiram 0,15% e 0,34%, respectivamente, enquanto Paris recuou 0,15%.
Reforçando as preocupações, o Banco Mundial (Bird) alertou ontem para uma desaceleração global e fez um apelo para que os emergentes se preparem para um choque maior que o de 2008. “Os países emergentes precisam se preparar para o pior”, afirmou o Bird no relatório “Perspectivas para a Economia Global”.
O Bird reduziu a projeção de crescimento para os emergentes este ano de 6,2% para 5,4%, e a dos países ricos, de 2,7% para 1,4%. A economia global deve crescer 2,5% em 2012, e a zona do euro deve se contrair em 0,3%. O Brasil teria expansão de 3,4% este ano e de 4,4% em 2013. (com agências internacionais)
Fonte: o Globo